Despesa dos utentes com medicamentos subiu 6,8% no 1.º semestre e ultrapassa 454,5 M€
6 de ago. de 2024, 11:21
— Lusa/AO Online
Segundo
o relatório da monitorização da despesa com medicamentos em ambulatório
referente aos primeiros seis meses do ano, divulgado pelo
Infarmed, a classe terapêutica com maior encargo para o SNS foi a dos
antidiabéticos, com uma despesa superior a 196,4 milhões de euros (M€),
um aumento de 9,2% (mais 16,6 M€).Depois
dos antidiabéticos surgem os anticoagulantes, com uma despesa de 77,4
milhões de euros, uma das poucas que baixou face ao período homólogo
(-17,9%, menos 16,9M€), o mesmo acontecendo com os analgésicos
estupefacientes, com os quais o SNS gastou 14,9M€ (-23,2%) entre janeiro
e junho deste ano.A substância ativa com
maior despesa foi a dapagliflozina, usada para o tratamento da diabetes
tipo 2, onde o SNS gastou nos primeiros seis meses do ano mais de 36,7
M€, uma subida de 26,5% relativamente ao período homólogo.A
conjugação dapagliflozina + metformina, para melhorar do controlo
glicémico em pessoas com diabetes mellitus tipo 2, originou uma despesa
superior a 30,5 M€ (+ 18,3%), segundo os dados divulgados pelo Infarmed.O
relatório indica ainda que a maior descida na despesa com medicamentos
se deu na substância ativa apixabano (-42,1%9), que inibe a agregação de
plaquetas no sangue, prevenindo a formação de trombos, com a qual o SNS
gastou 18,6 M€.No sentido contrário, a substância ativa com maior aumento de encargo para o SNS foi a dapagliflozina (+26,5%).Os
dados indicam ainda que os utentes gastaram mais 28,9 milhões de euros
(+6,8%) em medicamentos do que no primeiro semestre do ano passado,
ultrapassando os 454,5 M€.Estes números
vão no mesmo sentido do estudo divulgado no mês passado que indicava que
Portugal é o terceiro país da OCDE (Organização para a Cooperação e
Desenvolvimento Económico) em que a despesa direta das famílias com
saúde é mais alta, com os idosos sujeitos a uma maior desproteção
financeira nesse tipo de gastos.Segundo
este estudo, realizado no âmbito da Iniciativa para a Equidade Social,
uma parceria entre a Fundação La Caixa, o BPI e a Nova SBE, a despesa
direta em saúde em Portugal é de 5,2% dos gastos totais das famílias,
acima da média de 3% do conjunto dos países da OCDE e apenas superada
pela Suíça (5,5%) e pela Coreia (6,1%).Os
dados do Infarmed indicam ainda que o número de embalagens dispensadas
no mercado comparticipado subiu 3,6%, atingindo os 95,2 milhões.O
relatório mostra ainda que, no primeiro semestre do ano, houve 3,2
milhões de consultas no SNS, menos 84 mil (-2,5%) do que em igual
período do ano passado.A tendência de
aumento da quota de utilização de medicamentos genéricos em meio
ambulatório atingiu novo máximo de 52% em unidades dispensadas nas
farmácias comunitárias, com os medicamentos anticoagulantes a serem a
classe com maior contributo neste aumento. Relativamente
aos medicamentos não sujeitos a receita médica dispensados fora das
farmácias, os dados mostram também um aumento de 14,3% no número de
embalagens dispensadas face ao semestre homólogo. Os analgésicos e
antipiréticos continuam a ser a classe terapêutica mais vendida.