Desmontar Hospital de Campanha do INEM no São João é um momento de “esperança”
Covid-19
30 de ago. de 2021, 12:21
— Lusa/AO Online
“Hoje é um dia simbólico e um dia de esperança nesta batalha contra a Covid-19”, afirmou Fernando Araújo.Em
declarações aos jornalistas, o presidente do CHUSJ disse que aquela
infraestrutura do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), com
mais de 210 metros quadrados, foi uma “abordagem inovadora” na triagem e
orientação de doentes menos graves que, infetados com a Covid-19,
chegavam ao hospital.Instalado desde 07 de
março de 2020 no CHUSJ, nas seis tendas amarelas que compunham aquele
Hospital de Campanha trabalharam durante as várias vagas da Covid-19
“centenas de profissionais de várias especialidades” e passaram “dezenas
de milhares de utentes”.Segundo Fernando
Araújo, a decisão de desmontar o Hospital de Campanha do INEM prendeu-se
com o facto de, neste momento, a situação “estar estabilizada do ponto
de vista de afluxo” e de o São João ter uma “resposta estruturada”.“Não
entendemos que [o desmontar] seja prematuro face ao que temos previsto
da evolução da própria pandemia e ao que as próprias entidades de saúde
preveem, e, acima de tudo, isto foi um plano de contingência, era
necessário dar uma resposta em poucos dias a um número elevado de
doentes”, referiu.Admitindo que o hospital
se encontra numa “forma diferente de estar”, Fernando Araújo afirmou
que o plano de contingência, que pressuponha a existência daquela
infraestrutura, “deixou de ser necessário”.“É
um sinal de enorme esperança para o futuro. Temos ao longo deste ano e
meio sofrido alguns problemas e contingências em termos de país, mas
conseguimos superar. Acho que podemos olhar para o futuro de forma
diferente e muito positiva”, realçou.O
Hospital de São João, que “nunca parou” e onde a retoma das cirurgias e
consultas é “efetiva”, prepara-se agora para o próximo inverno.“Neste
momento estamos a trabalhar no próximo inverno, não apenas na questão
da covid-19, na questão dos outros agentes respiratórios que possam
provocar doença e [para os quais] tenhamos de ter circuitos e
formalidades diferentes”, avançou.O
presidente do Conselho de Administração do CHUSJ disse ainda não ser
“necessário” voltar a montar aquela infraestrutura face à aproximação do
inverno.“No nosso caso já não será uma
necessidade. O hospital ficou preparado, fez investimento em
infraestruturas, equipamentos, pessoas e vamos continuar numa nova fase
desse investimento de forma que o próximo inverno possa ser trabalhado
com antecipação, preparação e acompanhamento”, garantiu.Pelas
11h30 (menos uma nos Açores), cinco técnicos do INEM desmontavam as últimas duas tendas que ao
longo de 18 meses e até sexta-feira auxiliaram na resposta do Serviço
de Urgência daquela unidade hospitalar.No
exterior do hospital mantêm-se os contentores, onde há “uma triagem
avançada e um circuito separado para doentes com patologia
respiratória”, até serem, posteriormente, inseridos no ciclo normal do
hospital.Também aos jornalistas, o
presidente do Conselho Diretivo do INEM, Luis Meira, afirmou que a
infraestrutura foi “um exemplo excelente” da resposta entre o Serviço
Nacional de Saúde (SNS) e o Sistema Integrado de Assistência Médica numa
“luta que foi de todos, que foi difícil e que ainda continua”.“Apesar
deste sinal de grande esperança que estamos aqui também a querer dar,
todos ainda temos a nossa parte para fazer com a garantia de que é
possível confiar nas instituições”, afirmou.Rejeitando
tratar-se de uma decisão prematura, Luis Meira garantiu, contudo que,
caso seja necessário, “no espaço de poucas horas” o INEM poderá “voltar a
implementar uma estrutura semelhante”.“Estamos
a monitorizar em permanência aquilo que vai acontecendo, estamos
obviamente a acompanhar a evolução da pandemia. A pandemia ainda
persiste, não desapareceu porque se desmontaram meia dúzia de tendas.
Como disse, ainda temos muito para fazer. O português tem ainda a sua
parte para fazer e diria que parte dela é confiarem nas autoridades de
saúde”, acrescentou.