Desmantelada rede que introduzia anabolizantes nas prisões com colaboração de guardas
Hoje 17:33
— Lusa/AO Online
Fonte policial explicou à Lusa
que a operação foi desencadeada "pela suspeita de que guardas prisionais
estariam a ser utilizados para introduzir produtos proibidos”,
nomeadamente anabolizantes, no sistema prisional, “mediante
contrapartidas patrimoniais” e tendo por base uma relação de proximidade
“que por vezes se estabelece entre guardas e reclusos” devido ao
contexto de privação de liberdade.A
‘Operação Gambito’, realizada pela Unidade Nacional de Combate à
Corrupção em Lisboa, Sintra, Leiria e Setúbal, que investiga suspeitas
de crimes de tráfico de substâncias e métodos proibidos, associação
criminosa, corrupção e favorecimento pessoal, deteve três homens em
flagrante delito - ainda que um deles por posse ilegal de armas, facto
lateral ao objeto da operação -, e levou à constituição de 10 arguidos,
nove pessoas e uma empresa, tendo ainda sido realizadas 19 buscas
domiciliárias e não domiciliárias, incluindo em dois estabelecimentos
prisionais.Segundo fonte policial, um dos estabelecimentos visados localiza-se no distrito de Lisboa, outro no distrito de Setúbal.Foram
ainda apreendidos “uma elevada quantidade de substâncias proibidas, (…)
duas armas de fogo, duas carteiras de criptoativos contendo 150 mil
euros, 26 mil euros em numerário, uma viatura de alta cilindrada, além
de diversos elementos probatórios de extrema relevância para a
investigação, tanto em suporte físico, como digital”, precisou a PJ em
comunicado.Um dos arguidos, detentor da
carteira de criptoativos apreendida, é um “grande importador” de
anabolizantes, que têm origem sobretudo na Bulgária, mas também na Ásia,
nomeadamente China e Índia, adiantou a fonte policial, que adiantou que
o esquema montado para a importação das substâncias proibidas incluía
ainda a “colaboração ativa” de uma empresa transportadora internacional.Segundo
a mesma fonte, funcionários dessa transportadora estariam ao corrente
das identidades falsas criadas por este arguido para receber as
encomendas, sabendo sempre que essas falsas identidades correspondiam,
na verdade, ao importador e entregando as mercadorias no destinatário
correto, com residência no concelho de Leiria.Entre
os detidos encontram-se companheiros de reclusos que, durante as
visitas, entregariam as substâncias proibidas, e também o companheiro de
uma visada na investigação, detido por posse ilegal de armas,
encontradas durante as buscas domiciliárias.Os
restantes arguidos não detidos, incluem, para além do importador de
substâncias proibidas, outros elementos que compunham a rede criminosa
de importação e distribuição destes produtos nos estabelecimentos
prisionais, incluindo um ex-recluso.A
empresa constituída arguida pertence ao importador de anabolizantes, mas
não seria usada no esquema criminoso de importação, explicou fonte
policial.O tráfico de anabolizantes e
substâncias proibidas é considerada uma alternativa segura em relação ao
tráfico de droga, uma vez que pode revelar-se tão lucrativa como o
tráfico de estupefacientes, mas com uma moldura penal bastante inferior,
entre um a cinco anos de prisão, explicou fonte policial, acrescentando
que este produto é “extremamente valioso” no meio prisional.A
mesma fonte manifestou ainda preocupações com a dimensão que o consumo
deste tipo de substâncias assume em meio prisional, classificando-a como
“uma pandemia” com graves riscos de saúde, havendo muitos consumidores a
“comprar gato por lebre”.Os três arguidos
detidos, portugueses e com idades entre os 39 e os 62 anos, são hoje
presentes a tribunal para aplicação de medidas de coação.Questionada
pela Lusa sobre a operação que visou dois estabelecimentos prisionais e
constituiu arguidos dois guardas prisionais, a Direção-Geral de
Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) adiantou, que "acompanha o
processo e que tomará as medidas disciplinares adequadas"."Esta
Direção Geral colabora estreitamente com os órgãos de polícia criminal
no combate à entrada e circulação de produtos ilícitos em contexto
prisional", acrescenta a resposta.