Desinformação: Da corrupção nas legislativas à imigração nas europeias
29 de jun. de 2024, 10:28
— Lusa
“A narrativa da
corrupção estava associada à governação do PS. A partir do momento em
que o PS deixa de ser governo, a narrativa deixa de ter força”, é a
“explicação simples” de Gustavo Cardoso, sociólogo e coordenador do
MediaLab, instituto de estudo de ciências da comunicação integrado no
ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.Como
“já não há ninguém para tirar o poder, porque aquele que se queria
tirar do poder [PS] já lá não está”, era preciso “encontrar uma nova
narrativa”. E aí entrou “uma perspetiva
mais nacionalista, mais de extrema-direita” que “não fere” nenhuma das
partes com “uma visão mais nacionalista” nas redes sociais - a
imigração.Foi, aliás, um fenómeno
transfronteiriço, por exemplo, com a publicação nas redes sociais, em
Portugal, pelo Chega, e em Espanha, pelo Vox, da imagem de uma mulher
com uma burca. Não se tratando de
desinformação, mas sim de mensagem eleitoral, o Chega divulgou nas suas
contas nas redes sociais uma imagem comparando uma mulher com burca e
outra sem burca, questionando “Que Europa queres?”.O
cartaz foi publicado nos dois países “no mesmo dia, com o mesmo
grafismo, com arranjo gráfico igual, o que significa que é improvável
que não houvesse um conhecimento mútuo do cartaz antes de ele ser
publicado”, afirmou José Moreno.Com base
nesta experiência, os dois investigadores concluíram que é preciso
continuar este tipo de projeto em eleições futuras, disponibilizando-se
um número no WhatsApp, como aconteceu com as eleições europeias deste
mês, reforçando os meios para divulgar o que é a desinformação.O
MediaLab e a Comissão Nacional de Eleições assinaram um protocolo para o
período da campanha das europeias, e a que a Lusa se associou, com o
objetivo de detetar e prevenir eventuais notícias falsas até ao dia da
votação.