Desigualdades nos cuidados sobre o cancro são inaceitáveis na UE
1 de fev. de 2023, 08:41
— Lusa/AO Online
“Todas as pessoas na UE, onde quer que vivam,
devem ter as mesmas oportunidades de prevenir, tratar e sobreviver ao
cancro”, disse ainda, na abertura da Conferência sobre o Cancro 2023,
acerca da “erradicação das desigualdades nos cuidados” relativos à
doença. Kyriakides assinalou que as taxas
de mortalidade, os fatores de risco e o acesso aos cuidados variam
imenso, adiantando que as pessoas com níveis de escolaridade mais baixos
e menor rendimento “são as mais afetadas” e que o acesso aos cuidados é
mais limitado em áreas remotas.Indicou que a conferência visa “unir forças” e “destacar a importância de garantir equidade no acesso ao tratamento do cancro”.Segundo
a comissária, “superar as desigualdades (…) será um desafio”, mas as
hipóteses de sucesso “serão maiores” se se identificar e perceber as
causas das disparidades.O compromisso
assumido com o Plano Europeu de Luta Contra o Cancro, lançado em 2021,
“só pode ser alcançado enfrentando as diferenças inaceitáveis” que
existem atualmente na UE, insistiu.Uma das
“principais iniciativas” no âmbito daquele plano, o primeiro Registo
Europeu de Desigualdades do Cancro, permitiu a realização do “primeiro
conjunto de perfis de cancro por país”, a divulgar na conferência.De
acordo com esta análise, a doença é a segunda causa de morte,
“representando uma em cada quatro vidas perdidas na UE”, e “o cancro de
pulmão continua a ser, de longe, a causa mais comum de morte por cancro”
em todos os Estados-membros.A comissária
europeia da Saúde disse ainda que este ano estão previstas mais de 30
iniciativas no âmbito do Plano Europeu de Luta Contra o Cancro,
precisando que depois do verão serão apresentadas “uma nova recomendação
sobre cancros que podem ser evitáveis com uma vacina”, bem como
“medidas para alcançar ambientes livres de fumo para ajudar a cumprir a
meta de uma geração sem tabaco até 2024”.Os
29 Perfis de Cancro (incluem a Noruega e a Islândia) mostram que os
países da UE gastaram quase 200 mil milhões de euros em cuidados com o
cancro em 2018.Organizado pela Organização
para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e pela Comissão
Europeia, o estudo considera que as grandes diferenças nas taxas de
mortalidade podem ser parcialmente explicadas “pela exposição variável a
fatores de risco para o cancro, mas também pela diferente capacidade
dos sistemas de saúde para fornecer acesso oportuno e gratuito ao
diagnóstico precoce, bem como cuidados e tratamentos de alta qualidade".Os
Perfis podem ajudar os decisores em relação a políticas, bem como a
orientar investimentos e intervenções a nível regional, nacional e da UE
no âmbito do Plano Europeu de Luta contra o Cancro.