Desenvolvido sistema de deteção precoce de autismo com realidade virtual e IA

2 de abr. de 2025, 21:48 — Lusa

O sistema, chamado T-EYE, conseguiu uma precisão de mais de 85%, ultrapassando os métodos tradicionais de deteção do Transtorno do Espectro Autista (TEA) nos primeiros anos de vida, assentes habitualmente em testes psicológicos e entrevista que são feitas de forma manual, informou hoje a UPV, no Dia Mundial da Consciência do Autismo.No estudo, cujos resultados foram publicados na revista Expert Systems with Applications, a equipa do Instituto Human-Tech analisou os movimentos das crianças durante a execução de múltiplas tarefas em realidade virtual para determinar que técnica de inteligência artificial (IA) era a mais apropriada para identificar a TEA."O uso de realidade virtual permite-nos utilizar ambientes reconhecíveis que geram respostas realistas e autênticas, imitando a forma como as crianças interagem no seu dia a dia. Isto representa uma melhoria significativa em relação aos testes de laboratório, nos quais as respostas são geralmente artificiais", explica Mariano Alcañiz, diretor do Instituto Humano-Tecnológico da UPV. Com a realidade virtual, "podemos estudar reações mais genuínas e compreender melhor os sintomas do autismo", acrescenta.O sistema virtual consiste na projeção, nas paredes de uma sala ou em uma tela de grande formato, de um ambiente simulado no qual se integra a imagem do próprio menino ou menina enquanto realiza múltiplas tarefas, captado por uma câmara que analisa seus movimentos."Esse método padroniza a deteção do autismo por meio da análise de biomarcadores relacionados ao comportamento, atividade motora e direção do olhar", afirma Alcañiz.O sistema, especifica, necessita apenas de um grande ecrã e de um tipo de câmara que já existe no mercado e é mais barata que o método habitual de avaliação do teste, razão pela qual facilita "o acesso ao diagnóstico, uma vez que poderia ser incluído em qualquer espaço de atendimento precoce".Por outro lado, explica o investigador Alberto Altozano, que desenvolveu o modelo de IA em conjunto com o professor Javier Marín, aproveitando a experiência adquirida na análise de dados motores, a equipa da UPV comparou técnicas tradicionais de IA com um inovador modelo de aprendizagem profunda.Os resultados, explica Altozano, revelam que o novo modelo proposto é capaz de identificar TEA com maior precisão e em maior número de tarefas dentro da experiência de realidade virtual.Uma vez processados automaticamente os movimentos do menor durante a experiência virtual, o sistema estabelece um diagnóstico que, segundo os responsáveis pelo estudo, melhora a precisão e a eficiência das técnicas convencionais.O projeto T-EYE foi financiado pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (CDTI), do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades.