Desconvocada greve nos portos após "abertura ao diálogo" demonstrada pelo novo ministro
9 de jan. de 2023, 15:13
— Lusa/AO Online
“Decidimos desconvocar a
greve. Começámos por emitir o pré-aviso de greve exatamente pela
ausência de diálogo e o senhor ministro mostrou-se abertíssimo ao
diálogo, um diálogo aberto, franco, e mostrou grande disponibilidade
para projetos para dar aos portos a importância que eles verdadeiramente
têm”, afirmou o presidente da direção do Sindicato Nacional dos
Trabalhadores das Administrações Portuárias (SNTAP) em declarações à
agência Lusa no final de uma reunião com o novo ministro das
Infraestruturas, João Galamba.Segundo
Serafim Gomes, o sindicato entendeu que o ministro “precisa de algum
tempo para levar por diante as suas ideias”, pelo que decidiu “dar-lhe
um voto de confiança” e um prazo de três meses para avaliar “os projetos
que tem [para o setor] e que envolverão, também, a resolução dos
problemas em cima da mesa relativamente aos trabalhadores”.“Ficou
ajustado um prazo de três meses para estes projetos serem desenvolvidos
e a nossa expectativa é que sejam também resolvidos os problemas que
nós tínhamos posto em cima da mesa”, afirmou.De
acordo com o dirigente sindical, “a questão não tem de se colocar
exatamente só em termos salariais, mas num âmbito mais genérico de
condições de trabalho, que passam, naturalmente, também pelas questões
salariais”. “No contexto deste
desenvolvimento que o senhor ministro pensa implementar no setor,
naturalmente que esses problemas serão contemplados também”, disse.Salientando
a “abertura para o diálogo demonstrada” por João Galamba – que sucedeu
há dias a Pedro Nuno Santos na pasta das Infraestruturas –, o presidente
do SNTAP considera ser “significativo o facto de o ministro não ter
delegado a pasta dos portos num secretário de Estado, mas querer assumir
e liderar, ele próprio, a atividade”.“Acho
que isso é significativo e prometedor de que seja dada aos portos a
importância que eles têm e que tem sido esquecida desde há uns anos”,
sustentou, recordando que, até agora, o titular da pasta da pasta dos
portos “não era o ministro, era o secretário de Estado das
Infraestruturas, o que não deu nenhum resultado” e culminou, no passado
dia 21 de dezembro, numa situação em que “foi quebrado o diálogo”.De
acordo com Serafim Gomes, já para a próxima terça-feira, pelas 15:00,
ficou agendado no Ministério das Infraestruturas um encontro com os
vários sindicatos representativos do setor portuário “para o ministro
expor os projetos e ideias que tem para o setor”.Em
vigor desde 22 de dezembro do ano passado, a greve dos trabalhadores
das administrações portuárias deveria prolongar-se até 30 de janeiro,
abrangendo os portos do continente, Madeira e Açores.De
acordo com um documento enviado ao Governo, secretarias regionais e
administrações portuárias, os trabalhadores dos portos do continente e
da Madeira iriam estar em greve "das 00:00 do dia 22 de dezembro até às
24:00 do dia 23 de dezembro", "das 00:00 do dia 27 de dezembro até às
24:00 do dia 29" e "das 00:00 às 24:00 dos dias 02, 06, 09, 13, 16, 20,
23, 27 e 30 de janeiro".O sindicato acusa
as administrações portuárias de "ausência total de disponibilidade" para
dialogar sobre a proposta de revisão salarial para 2023, tendo o SNTAP
feito "vários pedidos de reunião" que ficaram sem resposta,
"nomeadamente por parte das administrações de Sines e de Lisboa".Os
representantes dos trabalhadores apontam ainda a "subsistência de
graves situações" de violação da legislação e do acordo coletivo de
trabalho em vigor, incluindo um caso que classifica como "assédio
laboral" a um trabalhador do porto de Sines.Na
passada sexta-feira, a Associação Industrial Portuguesa (AIP) veio
alertar para os “sérios prejuízos” que estavam a ser causados pela
greve, apelado à “abertura de um canal de negociação”.