Descobertas células que potenciam reconstrução de órgão essencial do sistema imunológico
20 de jun. de 2022, 13:29
— Lusa/AO Online
Em comunicado, o
instituto revela hoje que os investigadores descobriram uma “nova
população de células” que contribuem para a formação e atividade do
timo, órgão “fundamental” do sistema imunológico e onde são formadas as
células T.“O
timo perde muito cedo a sua capacidade de produzir células T”, observa o
i3S, lembrando que estas células são fundamentais na resposta a
patogénicos e tumores, mas também na prevenção de doenças autoimunes.Para
que se consiga reativar a produção de células T em pessoas com o
sistema imunitário debilitado, torna-se “fulcral” compreender a origem
das diferentes células que compõe o microambiente do timo, nomeadamente
as células epiteliais, fibroblastos e células endoteliais.Nesse
sentido, os investigadores debruçaram-se sobre este microambiente do
timo e identificaram “pela primeira vez” os progenitores que dão origem
aos fibroblastos tímicos e que funcionam como uma “rede de suporte” onde
as células T crescem.Citado
no comunicado, Pedro Ferreirinha, um dos autores do artigo, esclarece
que no timo “predomina uma população com características estaminais” e,
posteriormente, a população de fibroblastos é progressivamente
substituída por outra população “mais madura e funcional”.“Percebemos
que estas populações partilham uma relação de proximidade em termos do
seu desenvolvimento, ou seja, os fibroblastos progenitores desaparecem e
dão origem a fibroblastos mais diferenciados”, refere Ruben Pinheiro,
também autor do estudo, acrescentando que isso acontece quando a função
tímica começa a atingir o máximo de produção de células T.Tal,
salienta o investigador, reforça a ideia de que “ao longo da vida a
produção de células T esgota a funcionalidade do microambiente do timo”.Segundo
os investigadores, o próximo objetivo passa por perceber se em pessoas
imunodeprimidas estes subtipos de células “estão alterados ou não
funcionais”.Esta
descoberta pode vir a potenciar o desenvolvimento de terapias capazes
de reconstruir o timo ou regenerar a sua função nos idosos e indivíduos
imunossuprimidos.Quanto
a esta possibilidade, o investigador Nuno Alves, que liderou o estudo,
salienta que uma das soluções para corrigir a função tímica “passa por
regenerar o timo envelhecido” e a outra “por reconstruir artificialmente
este órgão”“Para
se avançar para a segunda opção é fundamental compreender a origem das
diferentes células que compõe o complexo e intrigante microambiente
tímico”, acrescenta.