Descida nas tabelas do IRS dá poupança de 0,69 euros em salário de 700 e de 7 euros a quem ganha 1.750
3 de dez. de 2020, 11:10
— Lusa/AO Online
O
despacho com as tabelas de retenção na fonte do IRS que vão vigorar ao
longo do próximo ano foram publicadas em Diário da República,
traduzindo um aumento de 659 para 686 no valor dos salários e pensões a
partir do qual se começa a descontar IRS, e uma descida das taxas
aplicáveis aos vários escalões de rendimento de trabalho dependente.O
objetivo da medida, refere o Ministério das Finanças em comunicado, é
dar “continuidade à ação tomada ao longo dos últimos anos de esbater o
diferencial nas tabelas de retenções na fonte onde existe o maior
desfasamento entre o valor das retenções realizadas e o valor final de
imposto a pagar pelos trabalhadores dependentes”.Do
lado das pensões, as tabelas de retenção na fonte foram atualizadas nos
escalões mais baixos, de forma a “manter o nível de rendimento líquido
dos pensionistas beneficiados pelo aumento extraordinário das pensões
mais baixas”.Um conjunto de simulações
efetuado pelo Ministério das Finanças revela que um solteiro, sem
dependentes, que receba um salário mensal de 685 euros passará a ficar
isento desta retenção mensal na fonte, ‘poupando’ 0,69 euros face ao
valor que desconta este ano. No final do ano, um contribuinte com este
perfil terá ganho mais 9,59 euros.Caso o
salário seja de 1.100 euros mensais, a poupança na retenção na fonte
face à situação atual, será em 2021 de 2,20 euros por mês ou 30,80 euros
por ano. Estes valores sobem para, respetivamente, sete euros mensais e
98 euros anuais se o salário for de 1.750 euros ilíquidos.Tratando-se
de um casal em que apenas um dos elementos trabalha, sem dependentes, a
retenção mensal na fonte baixa de 16,80 euros em 2020 para 16,10 euros
em 2021 (menos 0,70 euros por mês) num salário de 700 euros.Se este casal ganhar 1.400 euros, a retenção mensal na fonte baixa 1,40 euros passando dos atuais 100,80 euros para 99,40 euros.Os
casais em que ambos os elementos trabalham e sem dependentes têm um
perfil de descontos mensais do IRS semelhantes aos do solteiro, sem
dependentes, pelo que, se o seu salário for de 1.750 euros mensais,
passarão a descontar menos sete euros por mês (ou 98 euros por ano).Tendo
uma remuneração de 3.100 euros brutos, o casal verá a taxa de retenção
na fonte baixar de 26,5% para 26%, o que significa que em 2021, em vez
de descontarem 821,5 euros de IRS por mês vão passar a descontar 806
euros.Neste caso o aumento do rendimento líquido mensal será de 15,50 euros o que, no final do ano, resultará em 217 euros.A
retenção na fonte do IRS realizada por trabalhadores por conta de
outrem e dependentes funciona como um adiamento do imposto, sendo as
contas acertadas no ano seguinte, com a entrega da declaração anual do
imposto.A descida da retenção mensal ao
longo de 2021 aproxima mais o imposto pago do efetivamente devido, mas
irá traduzir-se um ano mais tarde numa redução do reembolso ou num
aumento do imposto que haja a pagar, caso o rendimento e as despesas
apresentadas mantenham um perfil idêntico ao deste ano.