Derrocada em São Miguel com “impactos diretos” na mobilidade de residentes e visitantes
17 de set. de 2025, 17:58
— Lusa/AO Online
A direção da CCIPD manifestou
hoje, em comunicado, a sua preocupação “relativamente à recente
derrocada ocorrida na via de acesso à zona da Ferraria, felizmente sem
vítimas a registar, mas com impactos imediatos na mobilidade de
residentes e visitantes, bem como na imagem do destino Açores”.A
derrocada ocorreu, na segunda-feira, na estrada que faz a ligação com a
zona da Ferraria, na freguesia de Ginetes, no concelho de Ponta
Delgada, ilha de São Miguel.A Secretaria
do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas dos Açores informou, na
terça-feira, que o acesso à zona da Ferraria se "mantém condicionado"
por não estarem reunidas condições de segurança para a circulação de
pessoas e viaturas.“A equipa técnica que
se deslocou ao local, numa análise preliminar, identificou toda a zona
como instável e perigosa, concluindo que não há condições de segurança,
de momento, para a circulação de pessoas e viaturas no caminho em
questão, pelo que o acesso se mantém condicionado e não recomendado”,
adiantou numa nota de imprensa.Para a
CCIPD, o episódio resulta, “em grande medida, da reduzida monitorização e
do investimento insuficiente na manutenção e qualificação de
infraestruturas relevantes para o setor do turismo”.“O
bloqueio da via implicou custos acrescidos para os turistas,
nomeadamente a imobilização de viaturas de aluguer, e gerou
constrangimentos que não devem ser desvalorizados num mercado turístico
cada vez mais competitivo”, referiu.A
estrutura empresarial tem vindo a alertar “para a necessidade urgente de
um plano estruturado e contínuo de investimento em infraestruturas
turísticas, não apenas para garantir a necessária segurança, mas também
para posicionar os Açores como um destino de excelência”.No
caso específico da Ferraria, sublinha tratar-se de “um dos produtos
âncora do termalismo açoriano, um segmento turístico com elevado
potencial para combater a sazonalidade e gerar valor acrescentado para a
economia regional”.Segundo a CCIPD, a
situação agora verificada na Ferraria não é um caso isolado na ilha de
São Miguel, recordando a interdição do ilhéu de Vila Franca do Campo, os
trilhos “sem sinalização adequada onde turistas se perdem, obrigando a
sucessivas intervenções dos serviços de resgate”, as descargas poluentes
na praia do Monte Verde (Ribeira Grande) ou o encerramento temporário
de estâncias termais por determinação das entidades competentes. “Todos
estes episódios fragilizam a imagem do destino, geram insegurança e
transmitem uma perceção de falta de planeamento e de incapacidade de
resposta atempada”, salienta.A direção da
CCIPD considera imperativo que as entidades competentes assegurem, com
“caráter de urgência, a proteção, a manutenção e a valorização contínua
das infraestruturas turísticas, garantindo que episódios como o agora
ocorrido não comprometam a segurança, a confiança e a atratividade dos
Açores enquanto destino turístico de referência”.Segundo
a Secretaria do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas dos Açores, a
derrocada “consistiu num deslizamento de terras no pé do talude, que
projetou terra e blocos rochosos de grandes dimensões para a via,
obstruindo-a”.“Este deslizamento ocorreu
numa zona não abrangida pela intervenção de estabilização do talude
realizada entre 2019 e 2020”, acrescentou.O
Governo dos Açores apelou à compreensão e colaboração
da população, sublinhando que as limitações em vigor visam "única e
exclusivamente salvaguardar a segurança da população e dos visitantes".O
executivo aguarda o relatório técnico do Laboratório Regional de
Engenharia Civil, para desencadear os procedimentos de proteção e
consolidação dos taludes da via.