Deputados querem revisão constitucional para reforçar competências dos Açores
22 de mai. de 2025, 17:09
— Lusa/AO Online
“Entendemos
que a revisão constitucional é o caminho mais seguro e eficaz para
assegurar à Região Autónoma dos Açores competências claras e legítimas
na gestão partilhada do mar, superando as limitações impostas por
interpretações restritivas do Tribunal Constitucional”, explicou a
deputada Salomé Matos, relatora da comissão, durante a leitura das
conclusões.A comissão em causa, criada a 11 de abril de 2024 por proposta conjunta dos três partidos que formam o
executivo regional (PSD, CDS-PP e PPM), aprovou um conjunto de 14
conclusões, todas elas relacionadas com o aprofundamento da autonomia
regional, em matéria de gestão das suas águas.Mas
nem as conclusões, nem o relatório final, parecem ter satisfeito os
partidos que integram a comissão, que levantaram dúvidas e fizeram
críticas aos documentos, impedindo que fosse alcançada a unanimidade que
muitos desejavam em matéria de defesa do alargamento das competências
legislativas das autonomias regionais.“Concordando
com esta conclusão e com este caminho, que é o mais seguro, ele não se
afigura adequado, nem este parece ser o momento correto para abrir um
processo de revisão constitucional, considerando a atual composição da
Assembleia da República e as posições políticas dos diferentes
partidos”, advertiu António Lima, do Bloco de Esquerda.O deputado bloquista aludia assim ao novo quadro parlamentar saído das eleições legislativas nacionais do passado domingo.A
apresentação e votação das conclusões na Comissão Eventual de
Acompanhamento das Políticas de Ordenamento do Espaço Marítimo,
inicialmente previstas para o início de maio, foram adiadas por duas
vezes, por proposta dos deputados do PS, que entendiam não estarem em
condições de emitir uma opinião “devidamente fundamentada” sobre este
assunto.José Toste, deputado socialista,
explicou agora que o seu grupo parlamentar concorda com a maioria das
conclusões, mas anunciou o voto contra o relatório final da comissão por
entender que “fica aquém das expectativas” iniciais dos partidos com
assento parlamentar.“O Partido Socialista
votou favoravelmente grande parte destas conclusões. A questão é que
estas conclusões não são suficientes para dar resposta ao objeto para o
qual esta comissão eventual foi criada”, justificou o parlamentar eleito
pelo PS.Mas Pedro Pinto, deputado do
CDS-PP, lembra que os socialistas podiam ter apresentado propostas de
conclusões, caso não concordassem com a redação final do relatório, e
lamentou que os deputados do PS apenas pretendam arranjar uma
justificação para votar contra.“O PS teve
tempo para fazer todas essas alterações ao texto do relatório, se assim
era esse o seu desejo, ou então só podemos concluir que o desejo era
mesmo votar contra”, lamentou o deputado centrista.A
Comissão Eventual de Acompanhamento de Políticas de Ordenamento do
Espaço Marítimo foi criada com a intenção de alterar a polémica "Lei do
Mar", no sentido de atribuir competências às regiões autónomas na gestão
partilhada das suas águas, contrariando o entendimento atual de que
esta é matéria exclusiva da República.A
Lei de Bases do Ordenamento e Gestão do Espaço Marítimo, criada ainda no
tempo do Governo de Passos Coelho, determina que compete ao Estado a
gestão exclusiva das águas territoriais dos Açores e da Madeira, algo
que os governos regionais entendem ser inconstitucional, por violar os
estatutos político-administrativos das suas regiões autónomas.