Deputados dos Açores debatem proposta para alteração ao subsídio social de mobilidade
12 de jan. de 2026, 18:07
— Lusa/AO Online
A
iniciativa legislativa agora em análise visa eliminar, com efeitos
imediatos, a exigência introduzida na legislação, no início do ano, pelo
Governo da República, de os passageiros residentes nos Açores
comprovarem que não têm dívidas à Autoridade Tributária ou à Segurança
Social, como condição para acederem ao subsídio.A
medida foi publicada em Diário da República a 06 de janeiro e altera
substancialmente as regras para a atribuição do subsídio social de
mobilidade, que até agora estava acessível a qualquer passageiro
residente nos Açores ou na Madeira, mas que agora só é pago a quem tiver
a sua situação financeira regularizada perante o Estado.“Tal
exigência constitui uma restrição materialmente injustificada ao
direito à mobilidade dos residentes das Regiões Autónomas, contrariando o
princípio da continuidade territorial e da ultraperiferia, consagrado
no Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores”,
sublinha o executivo açoriano de coligação (PSD/CDS-PP/PPM).O
Governo liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro contesta a
exigência criada pelo executivo de Luís Montenegro e lembra que esta
condição, que “afeta de forma imediata e direta” milhares de cidadãos
residentes nos Açores, cria também “uma diferenciação negativa no acesso
a um preço justo das deslocações” por via aérea.“A
exigência de regularidade contributiva não se encontra funcionalmente
relacionada com o objeto do subsídio social de mobilidade,
transformando-o, na prática, num mecanismo indireto de coerção fiscal e
contributiva, o que foi expressamente rejeitado pela Assembleia
Legislativa dos Açores e pelo Governo Regional, nos pareceres emitidos
em sede própria”, pode ler-se na anteproposta agora em análise no
parlamento açoriano.O Governo dos Açores
propõe, por isso, uma alteração legislativa que determine que o subsídio
social de mobilidade seja pago a todos os passageiros residentes,
“qualquer que seja a sua situação contributiva perante a Autoridade
Tributária ou Segurança Social”.O subsídio
social de mobilidade garante que cada passageiro residente nos Açores
pague o máximo de 119 euros por uma ligação ida e volta ao Continente
(89 euros para estudantes), até ao teto máximo de 600 euros de custo
elegível da passagem, sendo também necessário pagar primeiro a
totalidade do valor da viagem, e só depois aceder ao apoio, via
reembolso dos CTT.O plenário de janeiro do
parlamento açoriano integra também uma proposta da bancada do PS (o
maior partido da oposição nos Açores), que pretende permitir a pesca de
atum, com a arte de salto e vara, nas novas áreas marinhas protegidas,
que entraram em vigor no dia 01 de janeiro.A
iniciativa socialista parte do princípio de que a pesca de atum nos
Açores, além de artesanal e seletiva, está direcionada a grande
pelágicos e não possui capturas laterais, sendo considerada uma “pesca
sustentável”, e que, nessa medida, deve ser permitida “em todas as áreas
marinhas protegidas, incluindo as de nível de proteção total”.Além
da proposta do PS, os deputados vão também apreciar uma petição,
subscrita por vários profissionais do setor, que pedem ao parlamento que
reconsidere as atuais restrições à pesca de atum e permitam a
continuidade da atividade de salto e vara “dentro das áreas marinhas
protegidas”.“A proibição desta técnica
numa área marinha protegida, prejudica diretamente mais de 3.000
profissionais da pesca do atum nos Açores, impedindo-os de exercer uma
atividade seletiva e sustentável em toda a região”, justificam os
peticionários.