Deputados do PS/Madeira defendem reabertura do aeroporto para retoma económica
16 de mai. de 2020, 14:52
— LUSA/AO online
“Temos de utilizar a nossa autonomia para
relançar a nossa economia, naquilo que tenho chamado o reinventar da
Madeira”, afirmou o deputado socialista Paulo Cafôfo nas jornadas
parlamentares do partido, que decorreram no salão nobre da Assembleia
Legislativa da Madeira, subordinadas ao tema 'Recuperação Social e
Económica - O Papel da Autonomia'. O
ex-presidente da Câmara Municipal do Funchal considerou que a pandemia
da convid-19 veio “expor as fragilidades” desta região autónoma, que tem
um modelo económico que evidencia “vulnerabilidade e imperfeições”.Paulo
Cafôfo também defendeu a necessidade de solidariedade do Governo da
República” e de “responsabilidade do Governo Regional”.No
seu entender, o processo para “reinventar a Madeira passa por três
grandes objetivos: aumentar a produção e diminuir a dependência do
exterior, redução dos impostos e a retoma do turismo”.Sendo
este o principal setor da economia madeirense, argumentou que o
primeiro passo é “a abertura do aeroporto”, considerando que “sem a sua
normalização e funcionamento, feito de uma forma responsável e segura,
não é possível retomar a economia”. Também
sustentou que deve ser feita uma aposta no mercado nacional, “pela sua
proximidade e confiança gerada” junto dos portugueses, acrescentando a
importância de um reforço de verbas para promoção do destino Madeira,
montantes esses para uso da Associação de Promoção da Madeira, além da
criação de fundo regional para captação de novas rotas áreas.
Mas Paulo Cafôfo destacou ainda que a “TAP tem de servir a Madeira”,
argumentando que se está “num momento em que uma oportunidade está a
surgir” e a transportadora nacional “precisa de ser financiada pelo
Estado e esta participação do Estado tem que ter contrapartidas”. No
seu entender, “tem que haver uma estratégia que vá além da continuidade
territorial, ou seja, da mobilidade dos residentes da Madeira e que, ao
mesmo tempo, possa servir o turismo”, complementando que “a TAP tem de
ligar os países emissores de turismo à região, bem como as comunidades
de emigrantes”. Paulo Cafôfo sublinhou
que “para tudo isto, é preciso determinação, coragem política”, e vincou
ainda que em matéria dos apoios atribuídos às pequenas e médias
empresas “não basta a quantidade, têm que ser céleres”.
“É preferível investir na manutenção do emprego do que, depois, ter
despesas com subsídios de desemprego ou outros encargos sociais”,
opinou, insistindo que deve haver também poupança nos gastos correntes,
tendo o partido apresentado uma proposta no parlamento madeirense que
visa “a dissolução das sociedades de desenvolvimento, a poupança nas
parcerias público-privadas e a redução do número de assessores do
governo Regional”.Por seu turno, o líder
da bancada parlamentar socialista na Assembleia da Madeira, Miguel
Iglésias, referiu que “a prioridade número um tem de ser a recuperação
económica e o apoio às empresas, pois de outra forma haverá um período
muito difícil”.Miguel Inglesias reforçou
ser “preciso ter em atenção que o turismo também faz movimentar outros
setores importantes” da região, adiantando que “as restrições neste
momento no tráfego aéreo europeu são um problema, pois sem turistas a
atividade económica na região fica extremamente limitada e debilitada”. O
deputado madeirense realçou ser preciso “ter uma análise muito
aprofundada do papel do Estado para o futuro, e em particular na relação
entre o Estado central e as Regiões Autónomas, que são um território
economicamente mais frágil decorrente da sua ultraperiferia, que
necessitam de apoios específicos, e de uma atenção cuidada”, frisou.