Deputados do PS/Açores acusam República de impor mais custos aos açorianos nas viagens
26 de set. de 2024, 14:35
— Lusa/AO Online
A posição
dos deputados socialistas açorianos na Assembleia da República surge
após ter sido publicada esta quinta-feira, em Diário da República, uma portaria,
dando conta que o valor do subsídio social de mobilidade a atribuir pelo
Estado aos residentes, residentes equiparados e estudantes nas viagens
entre os Açores e o continente e a Madeira "tem um custo elegível máximo
de 600 euros”.Em nota de imprensa, os
parlamentares socialistas dizem que "foram surpreendidos", com a
publicação da portaria, que "vem contrariar tudo aquilo que foram os
compromissos assumidos pelo PSD e pelo CDS-PP" no âmbito do subsídio
social de mobilidade.“Ao contrário daquilo
com que estes partidos se tinham comprometido, não haverá manutenção de
direitos, havendo, isso sim, um efetivo retrocesso no processo de
mobilidade dos açorianos, que passam a pagar, a partir de agora, muito
mais pelas suas deslocações ao continente”, sustenta o deputado Sérgio
Ávila, citado na nota.Com os governos PS,
“os açorianos nunca pagaram mais que 134 euros” nesta deslocação, mas
agora, com o Governo PSD/CDS-PP, "vão pagar muito mais".O
deputado lamenta ainda que a portaria tenha sido publicada quando ainda
"não foram apresentadas" as conclusões do grupo criado para estudar
esta matéria, “violando, desde logo, todos os compromissos assumidos com
os açorianos”.“Prometeram um processo
mais simplificado e menos burocrático, mas, na prática, o que
concretizaram foi maiores custos para os açorianos, com o aumento do
preço na deslocação ao continente, contrariando tudo aquilo que tinham
assumido”, afirma Sérgio Ávila.O
parlamentar socialista açoriano lembrou que, em maio, o deputado da
Assembleia da República Paulo Moniz (PSD) tinha garantido "a manutenção
dos direitos dos açorianos nesta matéria". Por
seu lado, a 31 de maio, o ministro das Infraestruturas defendeu, na
comissão de Economia do parlamento açoriano, a implementação de um
limite máximo elegível de cerca de 600 euros para o apoio.Em
julho, o secretário de Estado das Infraestruturas disse que o valor
máximo ainda não estava definido, remetendo a questão para as conclusões
do grupo de trabalho criado para rever o modelo do subsídio social de
mobilidade.Na altura, a titular da pasta
da Mobilidade nos Açores, Berta Cabral, reiterou a discordância do
executivo açoriano com a imposição de um limite e disse “aguardar com
expectativa” as conclusões do grupo de trabalho.
No entanto, na terça-feira, o Ministério das
Infraestruturas e Habitação revelou que já tinha recebido “uma versão de
trabalho do relatório”, mas que o grupo contava “até ao final do mês,
incorporar os últimos contributos recebidos por entidades externas”,
para posteriormente entregar uma versão final.A
portaria publicada hoje, que entra em vigor na sexta-feira, estabelece
ainda um valor máximo para a taxa de emissão de bilhete, para efeitos de
elegibilidade, "de 35 euros, para os bilhetes de ida (OW), e de 70
euros, para os bilhetes de ida e volta (RT)”.O
Governo da República justifica as alterações por a metodologia de
apuramento do subsídio social de mobilidade se ter “revelado inadequada,
originando o encarecimento do custo elegível médio”, e por ser “crucial
proceder à revisão do atual modelo, também no que diz respeito ao
controlo de fraude”.A portaria refere que “foram ouvidos os órgãos do governo próprio da Região Autónoma dos Açores”.Nos
Açores, o subsídio social de mobilidade permite aos residentes no
arquipélago deslocarem-se para o continente com uma tarifa aérea máxima
de 134 euros. Porém, é necessário adquirir inicialmente a passagem pelo
preço de venda e, só depois de efetuada a viagem, todo o valor acima
desta meta de 134 euros é ressarcido a título de reembolso pelo Estado.