Deputados debatem proposta para facilitar empréstimos de curto prazo por municípios
Covid-19
8 de abr. de 2020, 18:20
— Lusa/AO Online
O
diploma, proposto pelo Governo, pretende tornar mais célere a
contratação de empréstimos a curto prazo pelas câmaras municipais, pelo
que excecionalmente, durante este período e para fazer face à covid-19,
não precisam de autorização prévia da Assembleia Municipal, que terá, no
entanto, de os ratificar posteriormente.Por
outro lado, a utilização do valor dos empréstimos a longo prazo,
estabelecido no máximo de dois anos, é suspenso durante a vigência deste
período excecional.Permite ainda que os
apoios a pessoas em situações de vulnerabilidade, assim como a concessão
de benefícios e isenção de taxas pelo município, possam ser concedidas
pelo presidente da Câmara, após delegação de competências do respetivo
executivo municipal.Também neste caso,
dispensa-se a aprovação pela Assembleia Municipal, ao presidente da
qual, contudo, deverá ser dado conhecimento por meio eletrónico.Segundo
a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, as
medidas pretendem “facilitar a resposta, quer em matéria de apoios
sociais, saúde pública e outros”, por parte das autarquias,
designadamente “no apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade e no
estabelecimento de parcerias com IPSS e setor social”.Alexandra
Leitão realçou que “outras medidas poderão vir a ser consideradas
necessárias” para as autarquias, “à medida que as coisas se forem
desenvolvendo” e que “as necessidades sejam sentidas”.Durante
o debate, o deputado Cancela Moura, do PSD, destacou que, no contexto
de pandemia, “foram de novo os autarcas que, à margem da hesitação do
Governo, deram a cara e tomaram as medidas de proteção das principais
vítimas desta crise”, os mais velhos, considerando que os atuais apoios
do Governo deveriam “ir mais além”.“Neste
particular propomos o alargamento do regime de ‘lay-off’ simplificado
aos trabalhadores das empresas do setor empresarial local ou seja às
empresas municipais”, disse.João
Vasconcelos, pelo BE, propôs alterações à proposta do Governo no sentido
de que os órgãos executivos autárquicos e o presidente da Assembleia
Municipal sejam consultados, “nem que seja pelo recurso à
videoconferência”, acerca das decisões sobre concessão de apoios pelo
presidente da Câmara Municipal.“Como se sabe, o estado de emergência não suspende a democracia”, considerou.Também
o PAN propôs que as Assembleias Municipais tenham conhecimento das
decisões do executivo municipal, mas Bebiana Cunha, deste partido,
propôs ainda que “todas as despesas realizadas no âmbito do combate da
covid-19 não contem para os limites de endividamento municipal” e a
“criação de uma linha de apoio financeiro a funcionar junto do Governo,
que assegure empréstimos sem juros aos municípios”.A
deputada do CDS-PP Cecília Meireles lembrou que a primeira prestação do
Imposto sobre Imóveis (IMI) é paga já em maio e propôs que as câmaras
possam “ou introduzir moratórias ou permitir que as famílias e as
empresas paguem depois ou permitir uma isenção total ou parcial”.Paula
Santos, do PCP, salientou que os empréstimos de curto prazo “neste
momento podem ser um importante instrumento na adoção de medidas de
combate à covid-19”, mas propôs que a obrigação de amortização destes
seja um prazo de até 12 meses, e não até ao final do ano civil 2020.O
PCP propôs ainda que “em 2020 seja excluída a aplicação do princípio do
equilíbrio orçamental” previsto na Lei das Finanças Locais.Para
André Ventura, do Chega, o prazo proposto pelo Governo para amortização
dos empréstimos a curto prazo, “ou até ao final do ano ou até meio do
próximo ano”, é “impraticável e não é executável”.“Impraticável”
também para o deputado único do Chega é que “o IMI continue a ser pago
da forma que está a ser” e que o Estado esteja a cobrar IVA aos
municípios que comprem material de proteção, pelo que “isso deveria ser
ajustado ou com uma revisão legislativa ou com o fundo de compensação a
quem já pagou o IVA e agora merece o seu reembolso”, defendeu.José
Luís Ferreira propôs, pelo lado de Os Verdes, que o Governo estabeleça
uma linha de crédito para que as autarquias possam ver compensada a
redução de receitas e o aumento da despesa, a manutenção da compensação
do Programa de Apoio à redução tarifária (PART), salientando que o
volume de passageiros com passe desceram abruptamente, e a necessidade
de proceder ao reembolso antecipado do Fundo de Apoio Municipal.A
deputada não inscrita, Joacine Katar Moreira, propôs iniciativas para
reforçar o apoio social aos idosos e às mulheres vítimas de violência
doméstica.O deputado da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, presente no hemiciclo, não interveio no debate.