Deputados criticam desinvestimento e “arrogância” da FLAD para com os Açores
Hoje 11:43
— Lusa/AO online
“Os
senhores tiveram uma atitude de prepotência e arrogância vergonhosa, e é
lamentável para os Açores esta postura da FLAD”, criticou a deputada do
Chega, Olivéria Santos, durante a discussão na sede do parlamento, na
Horta, de uma proposta que recomenda ao Governo a promoção de
diligências com vista ao reforço da presença institucional daquela
fundação nas ilhas.O Chega entende que a
FLAD deveria ter uma representação efetiva nos Açores, com uma delegação
permanente na região, e exige ainda que a fundação promova mais
investimento no arquipélago, atendendo a que a origem da sua criação
reside na Base das Lajes, infraestrutura militar utilizada pelos
norte-americanos, sedeada na ilha Terceira.Berto
Messias, líder parlamentar do PS, criticou também a atitude dos
responsáveis da FLAD, por não terem comparecido na comissão parlamentar,
quando convocados pelos deputados, apontando o dedo ao açoriano Carlos
Costa Neves, antigo líder do PSD/Açores, recentemente eleito para
administrador daquela fundação.“Acho que o
doutor Carlos Costa Neves entrou com o pé esquerdo”, ironizou o
parlamentar socialista, que lamentou também a ausência da FLAD na
comissão de Política Geral da Assembleia Legislativa dos Açores, onde o
assunto foi discutido antes de subir agora a plenário.O
secretário regional dos Assuntos Parlamentares, Paulo Estêvão, também
entende que a FLAD tem de aumentar os seus investimentos nos Açores e
nas comunidades açorianas radicadas nos Estados Unidos, apesar de não
concordar, no entanto, com a forma como o Chega apresentou o assunto.“O
Governo dos Açores entende que a contribuição da FLAD nos Açores não é
suficiente, nem adequada, nem responde à importância vital que os Açores
têm no quadro desta relação entre os Estados Unidos e Portugal”,
insistiu o governante.Também João Bruto da
Costa, líder parlamentar do PSD, considera que o Chega “comete um
erro”, ao pegar no assunto pela “forma” e não pelo “conteúdo”,
justificando assim os sociais-democratas não acompanharem, “na
totalidade”, a recomendação apresentada em plenário.João
Mendonça, deputado do PPM, disse que “é desejável” que os Açores
procurem “mais investimentos, mais cooperação e mais oportunidades”, no
relacionamento entre Portugal e os Estados Unidos, mas recordou que
esses objetivos já são também seguidos pelo executivo de coligação.Mas
António Lima, deputado do Bloco de Esquerda, considera que é “altamente
imprudente”, que o parlamento dos Açores esteja a colocar este assunto
“desta forma, em cima da mesa”, recordando que esta matéria devia ser
discutida no âmbito de uma negociação do acordo bilateral entre Portugal
e os Estados Unidos.Nuno Barata, deputado
da Iniciativa Liberal, também manifestou algumas reservas em relação à
proposta do Chega, em especial no que se refere à criação de uma
delegação da FLAD nos Açores: “fica a ideia de que a criação de mais uma
estrutura vai criar mais despesas e não propriamente um ganho”.Para
Luís Silveira, deputado do CDS-PP, justifica-se que a FLAD “invista
mais nos Açores”, na medida em que “se não houvesse região, nem Base das
Lajes, também não havia FLAD”, considerando que é um “desrespeito para
os Açores”, que aquela fundação só gaste 10 por cento das suas receitas
no arquipélago.A recomendação ao Governo
Regional foi aprovada com os votos favoráveis do CH, PS, CDS e IL, os
votos contra do Bloco e do PAN (que não interveio) e as abstenções do
PSD e do PPM.