Deputados australianos dão ‘luz verde’ à proibição das redes sociais a menores de 16 anos
28 de nov. de 2024, 11:00
— Lusa/AO Online
Esta
legislação pioneira, promovida pelo primeiro-ministro Anthony Albanese,
obrigaria plataformas como a X, TikTok, Facebook ou Instagram a tomar
medidas para impedir o acesso de menores de 16 anos.O
não cumprimento desta obrigação resultaria em coimas até 31 milhões de
euros, de acordo com o projeto de lei noticiado pela agência
France-Presse (AFP). Várias plataformas
denunciaram uma decisão "apressada", manifestando "sérias preocupações"
sobre potenciais "consequências imprevistas".O
projeto de lei foi aprovado por 102 votos a 13 na
Câmara dos Deputados. Terá ainda que ser debatido no Senado em data que
ainda não foi divulgada.Antes da votação
dos deputados australianos, Albanese frisou na quarta-feira que as redes
sociais eram "uma plataforma para a pressão social, um motor de
ansiedade, um canal para os burlões e, o pior de tudo, uma ferramenta
para os predadores online".A Austrália é um dos países na vanguarda da regulação das redes sociais para proteger as crianças. O limite de idade proposto seria uma das medidas mais rigorosas do mundo, mas a forma como será implementada ainda não é clara.O
texto adotado pelos deputados proíbe agora os gigantes da tecnologia de
exigirem aos novos utilizadores a apresentação de identificação para
comprovar a sua idade.Se a lei proposta for aprovada, as empresas tecnológicas terão um ano para a aplicar.Os analistas, no entanto, manifestaram dúvidas sobre a viabilidade técnica de uma proibição estritamente pela idade.Este
projeto de lei poderá, em última análise, dar origem a uma "política
simbólica", destacou o professor de comunicações digitais da
Universidade de Sydney, Terry Flew.Vários países e territórios já decidiram impor uma idade mínima para o acesso às plataformas.No
Estado norte-americano da Florida, deverá entrar em vigor em janeiro
uma lei que proíbe a abertura de conta a menores de 14 anos. Mas as
disposições práticas não foram determinadas.Em
Espanha, o governo apresentou também em junho um projeto de lei para
proibir o acesso às redes sociais a menores de 16 anos, embora o método
de verificação da idade não tenha sido determinado. Não há data prevista
para a revisão do texto.A China, que
restringe o acesso de menores desde 2021, exige a identificação através
de um documento de identidade. Os menores de 14 anos não podem passar
mais de 40 minutos por dia no Douyin, a versão chinesa do TikTok, e o
tempo de jogo 'online' para crianças e adolescentes é limitado.