Deputados aprovam audição da secretária-geral do SIRP e diretor do SIS
3 de mai. de 2023, 12:56
— Lusa/AO Online
Na reunião da comissão
parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e
Garantias, o PS chumbou os requerimentos que pediam a audição do
ministro das Infraestruturas, João Galamba, do seu ex-adjunto, Frederico
Pinheiro, bem como da ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro. O
PSD pedia também a “inclusão expressa” deste assunto na audição do
Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República
Portuguesa, marcada para logo a seguir, à porta fechada por imposição
legal, o que gerou uma troca de acusações tensa entre PS e PSD, depois
de os socialistas se terem oposto a que este tema fosse incluído na
ordem de trabalhos de hoje. Devido ao atraso dos trabalhos em cerca de uma hora, esta audição acabou adiada. À
saída do parlamento, a presidente do Conselho de Fiscalização do SIRP,
Constança Urbano de Sousa, disse que não queria prestar declarações aos
jornalistas, antecipando apenas que o Conselho de Fiscalização fará
“ainda hoje mesmo um comunicado à imprensa”.Questionada
pelos jornalistas se o comunicado será sobre a atuação do SIS na
recuperação do computador do ex-adjunto de Galamba, Frederico Pinheiro,
Urbano de Sousa respondeu: “Precisamente”.A
audição da secretária-geral do SIRP foi proposta por PSD, Chega, IL,
BE, PAN e Livre. O diretor do SIS virá ao parlamento a pedido do PSD,
Chega, IL, PAN e Livre.O PSD absteve-se na
votação da ida ao parlamento do ministro das Infraestruturas, João
Galamba, e do ex-adjunto Frederico Pinheiro, justificando esta posição
com o facto de já ter submetido um pedido nesse sentido no âmbito dos
trabalhos da comissão parlamentar de inquérito à TAP, explicou a
deputada Mónica Quintela.Já a votação da
ida à Assmebleia da República da ministra da Justiça, pedida pelo Chega,
mereceu o voto contra do PS e as abstenções de PSD, PCP e Livre. Nos
últimos dias, o ministro das Infraestruturas tem estado envolvido em
polémica com o seu ex-adjunto Frederico Pinheiro, que demitiu há uma
semana, sobre informações a prestar à Comissão Parlamentar de Inquérito à
Tutela Política da Gestão da TAP.O caso
envolveu denúncias contra Frederico Pinheiro por violência física no
Ministério das Infraestrutura e furto de um computador portátil, já
depois de ter sido demitido, e a polémica aumentou quando foi noticiada a
intervenção do Serviço de Informações e Segurança (SIS) na recuperação
desse computador.Na terça-feira, durante a
manhã, o primeiro-ministro recebeu o ministro João Galamba na
residência oficial de São Bento. Depois, de tarde, esteve no Palácio de
Belém, entre cerca das 17:00 e as 18:45, numa audiência que solicitou ao
Presidente da República.Perto das 20:20, o
ministro das Infraestruturas divulgou um comunicado a informar que "no
atual quadro de perceção criado na opinião pública" tinha apresentado o
seu pedido de demissão ao primeiro-ministro, "em prol da necessária
tranquilidade institucional" – que António Costa recusaria cerca de meia
hora depois.António Costa considerou que a
João Galamba não é "imputável pessoalmente qualquer falha" e disse que
mantê-lo como ministro é uma decisão que o "responsabiliza
integralmente" como primeiro-ministro, tomada provavelmente contra a
opinião da maioria dos portugueses e certamente contra os comentadores.Numa
nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na
Internet, depois de António Costa anunciar a decisão de não aceitar o
pedido de demissão de João Galamba, o Presidente da República assumiu
uma discordância em relação ao primeiro-ministro "quanto à leitura
política dos factos" que o levaram a manter João Galamba "no que
respeita ao prestígio das instituições".O
Conselho de Fiscalização do Sistema de Informações da República
Portuguesa (SIRP) esclareceu na terça-feira que por sua própria
iniciativa pediu informações sobre a intervenção do Serviço de
Informações e Segurança (SIS).