Deputado madeirense do PND exibe bandeira nazi

Parlamento madeirense

5 de nov. de 2008, 15:00 — Lusa/AOonline

Logo no início dos trabalhos, José Manuel Coelho ofereceu cravos vermelhos aos presentes junto com um manifesto contra o "regime ditatorial" na região, tendo o presidente da mesa mandado o deputado regressar ao seu lugar porque "estava a perturbar" o normal funcionamento do plenário.     Na sessão estavam em discussão as alterações ao regimento da Assembleia e o deputado único do PND chamou "fascistas" aos deputados do PSD/M e exibiu o símbolo nazi, denunciando ainda ter sido alvo de várias "ameaças de morte".     "Eu já tive três presidentes de câmara que me tentaram tirar a vida mandatados pelo chefe fascista Alberto João Jardim", declarou.     O líder da bancada social democrata madeirense, Jaime Ramos, insurgiu-se contra este acto e requereu a suspensão e levantamento da imunidade parlamentar do deputado do PND, bem como a apresentação de queixa junto do Ministério Público, sugestão que foi aprovada pela maioria social democrata.     O CDS/PP absteve-se e os restantes partidos da oposição votaram contra apesar de terem condenado a acção de José Manuel Coelho.     "O grupo parlamentar do PSD não abdica desse direito, não admite que o senhor deputado esteja cá presente, enquanto as coisas não forem esclarecidas. As instituições têm de funcionar e não pode ser um senhor deputado que está instrumentalizado por outras forças que podem tomar medidas nesse sentido".     O presidente do parlamento insular, Miguel Mendonça, ordenou que José Manuel Coelho "tirasse a bandeira", suspendeu os trabalhos e convocou uma reunião de líderes com carácter de urgência.     Anunciou que "tem de tomar medidas", incluindo a participação da situação do Ministério Público, visto que a suástica é um símbolo proibido pela lei portuguesa.     José Manuel Coelho deixou a bandeira na mesa do lugar de Jaime Ramos e ainda trocou palavras com os deputados sociais democratas fora da sala.     Durante a discussão das alterações ao regimento do parlamento regional, o deputado Roberto Almada do Bloco de Esquerda afirmou que "em pouco mais de três meses sobre a última revisão, eis que o PSD volta a impor a lei da rolha colocando uma mordaça na boca das minorias políticas, representadas nesta assembleia".     "A proposta que o PSD traz pretende silenciar as oposições na sua generalidade, sobretudo os que têm apenas um representante", sustentou.     O PSD pretende reduzir o tempo de intervenção dos partidos da oposição, com base na representação parlamentar.     Por seu turno, Leonel Nunes da CDU/M ironizou, sugerindo que com esta proposta o melhor a fazer é "pegar na chave simbólica desta casa e entregar ao todo-poderoso da Quinta Vigia e dizer que governe sozinho, como tem feito nos últimos 30 anos".     Vitor Freitas do PS adiantou que "quando o PSD/M se sente minoritário na razão e nos argumentos tudo faz para diminuir o parlamento aos olhos dos madeirense, é por isso que lança sobre esta casa uma má imagem".     "O governo desorientado do PSD sem política, sem rumo e sem norte, o pior da era da autonomia, para aparecer com alguma dignidade aos olhos dos madeirenses tem que rebaixar o parlamento", opinou.     José Manuel Rodrigues do CDS/PP destacou que a Constituição estabelece que os sistemas políticos das regiões autónomas são parlamentares, apontando que "a maioria do PSD ao longo de 20 anos subverteu este princípio e presidencializou o regime autonómico"     "Temos de inverter esta tendência e o parlamento tem de voltar a ser o primeiro órgão de governo próprio, não dependendo do governo que deve ser fiscalizado pela Assembleia", conclui.     O deputado do PSD/M Tranquada Gomes considerou que o parlamento madeirense não está a ser um lugar de "discussão política", estando convertido num "espectáculo não recomendado, o que não é o que o povo madeirense esperava da Assembleia Regional".     O plenário volta a reunir quinta-feira.