Deputado José Pacheco confirma candidatura à liderança do Chega/Açores
15 de mar. de 2021, 18:34
— Lusa/AO Online
“Eu sou
candidato, não há outra hipótese, tenho muitos militantes que se revêm
em mim e eu não fujo aos problemas”, declarou José Pacheco à agência
Lusa.O também secretário-geral do
Chega/Açores falava à Lusa na sequência da demissão de Carlos Furtado do
cargo de presidente do Chega/Açores.José Pacheco assumiu “divergências” com o atual líder regional do partido quanto ao “rumo” do partido na região.“Temos
opiniões diferentes, isso é normal. Estamos a aprender todos, mas as
coisas têm de ser clarificadas. Acho muito bem o Carlos [Furtado]
assumir a sua posição, nós vamos falar com os militantes e vamos pôr as
estratégias em cima da mesa”, declarou.Segundo
José Pacheco, o Chega deve assumir a sua “postura crítica” e não deve
ficar “acomodado” nas críticas ao Governo Regional, apesar de o partido
suportar o executivo liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro
no parlamento açoriano.“Temos de assumir a nossa faceta de fiscalizar e sermos críticos. Ninguém votou no Chega para ficarmos sossegadinhos”, apontou.E
prosseguiu: “a minha forma de estar na vida não é acomodada, eu sou uma
pessoa que gosta de olhar para o mundo de forma crítica e de construir
soluções, mas falar das coisas quando elas não estão bem”, afirmou.O
deputado José Pacheco também assinalou as divergências face ao líder
regional Carlos Furtado no processo para as eleições autárquicas,
defendendo que o Chega deve “apresentar candidaturas em todas as
autarquias possíveis”.O secretário-geral
do Chega/Açores rejeitou, no entanto, que as divisões internas do
partido possam criar instabilidade ao Governo Regional, realçando que
“não quer ver o PS a governar” a região.“A
estabilidade tem de estar acima de tudo, mas com condições. O José
Pacheco é uma pessoa firme, há quem lhe chame teimoso nas suas
convicções. Não sou cata-vento. Eu sou de direita natural, eu nasci
assim”, disse.José Pacheco avançou que o
processo eleitoral deve estar “resolvido dentro de um mês”, até porque
“existe uma grande urgência para definir as autárquicas”.O
líder do Chega/Açores, Carlos Furtado, demitiu-se do cargo no domingo
após desentendimentos com o também deputado regional José Pacheco.“Confirmo
que o líder do Chega/Açores pediu a sua demissão e que concordou comigo
na necessidade de uma clarificação eleitoral. Enquanto presidente
eleito do partido, reunirei imediatamente a Direção Nacional, na chegada
a Lisboa, para que, imediatamente, se desencadeie o processo eleitoral
na Região Autónoma dos Açores”, confirmou à Lusa o líder nacional, André
Ventura.A crise regional no partido ficou
visível com uma mensagem publicada numa página de uma rede social
oficial por parte de José Pacheco contra o aumento de beneficiários de
RSI verificado naquelas ilhas.A publicação
foi depois apagada pelo líder regional, Carlos Furtado, que escreveu
que a direção regional do Chega e o próprio têm “a melhor atenção” aos
problemas de “excesso RSI” e o “objetivo de se arranjar soluções
eficazes, sendo que neste momento as responsabilidades”, que lhes “são
imputáveis, não permitem a crítica fácil e populista”.O Chega é um dos partidos que suporta o Governo dos Açores, de coligação PSD/CDS/PPM, no parlamento regional.