Deputado independente nos Açores recusa "lições de moral" de partidos da coligação de governo
16 de set. de 2022, 09:34
— Lusa/AO Online
“Os
partidos da coligação lá fizeram as suas declarações. Esses partidos não
tem mais legitimidade democrática do que eu ou outros deputados.
Qualquer um desses partidos já colocou constrangimentos a este governo.
Não aceito lições de moral destes partidos. Sou o deputado que mais
estabilidade tem dado ao Governo. Mas, no momento em que tiver de brigar
com alguns dos outros parceiros parlamentares, lá terá de ser”, afirmou
Carlos Furtado.Referindo-se a apelos à
estabilidade governativa por parte dos partidos da coligação de governo,
o deputado falava aos jornalistas no fim de uma reunião com o
presidente do executivo, José Manuel Bolieiro, a propósito da elaboração
das antepropostas de Plano e Orçamento para 2023, que devem ser
discutidas em novembro na Assembleia Legislativa Regional.Questionado
sobre eventuais linhas vermelhas definidas para aprovar o Orçamento
para 2023, Furtado disse não ter qualquer “caderno reivindicativo,
porque o trabalho foi feito no ultimo ano”. “Tenho
propostas que foram apresentadas já para atender aos problemas da
atualidade. Apresentei iniciativas para reduzir os custos de
transportes, reduzir problemas com subsidio social de mobilidade,
telemedicina, apoiar as famílias em termos de habitação. Já fui
apresentando as medidas que, para mim, são emblemáticas”, disse.“Este não é momento adequado para fazer as reivindicações habituais porque já as fiz antes”, frisou.Carlos
Furtado observou que, na reunião, foi feita uma “primeira abordagem à
anteproposta” de orçamento tendo sido discutida “a atual situação da
região e conjuntura internacional, que obriga a repensar o plano para
2023”.“Há que ter algumas precauções. As
taxas de juro têm-se revelado uma dor de cabeça, a par da inflação. Esse
foi o assunto mais discutido”, observouDe
acordo com Furtado, o presidente do Governo, está “atento a esta
situação e há uma proposta que apresentou no sentido de eventualmente
dar um apoio às famílias”.“O documento está ainda em aberto. Ficamos a aguardar pelo documento final”, referiu. Quanto
às críticas ao PPM, que acusou de ter rasgado o acordo de incidência
parlamentar, Furtado disse que o assunto será abordado numa “próxima
oportunidade”, dizendo “crer que vai haver entendimento”.O
presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, disse
na terça-feira estar disponível para dialogar com o deputado
independente Carlos Furtado e manifestou disponibilidade para
“corresponder às suas justas reivindicações” em termos de “atenção”.“Eu
sou um democrata que tem demonstrado na construção desta solução
governativa dos Açores paciência democrática, diálogo, lealdade nos
compromissos e estou convencido que o que é a justa reivindicação do
deputado é ser ouvido, considerado e prestigiado”, afirmou. Na
segunda-feira, Furtado revelou estar a ponderar a continuidade do apoio
ao Governo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM), acusando o PPM de “rasgar” o
acordo parlamentar devido ao orçamento da Assembleia Regional.Num
comunicado, o deputado independente afirmou que o acordo de incidência
parlamentar assinado com os partidos do executivo está “ferido de
morte”, devido às críticas que recebeu do líder monárquico Paulo Estêvão
durante a discussão do orçamento do parlamento açoriano.Sem o apoio do deputado independente, o Governo dos Açores não tem a maioria na Assembleia Legislativa Regional.A
Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na
atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM,
dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um
deputado independente (eleito pelo Chega).