Deputado independente nos Açores justifica fim do acordo com "ingerências" e "caprichos"
9 de mar. de 2023, 11:58
— Lusa/AO Online
Em comunicado, Carlos
Furtado explica que “a decisão estava tomada” e que “a continuada
aprovação de iniciativas avulsas na Assembleia Regional só para
satisfazer caprichos de partidos que vendem caro a sua incidência
parlamentar, é algo intolerável”.O
deputado independente rompeu na quarta-feira o acordo com o executivo
regional dos Açores depois de o deputado da Iniciativa Liberal, Nuno
Barata, ter feito o mesmo com o acordo de incidência parlamentar que
tinha assinado com o PSD.Apesar da
“desvinculação” do compromisso com os partidos do governo, Furtado
assegura que continuará “a ser o deputado responsável que os Açores
merecem”, garantindo não estar “preso a cargos” e disponível para voltar
à “vida anterior” se o representante da República impuser eleições
antecipadas.“Não obstante ter-me
desvinculado deste compromisso que foi sendo variadas vezes incumprido
pelos partidos que compõem a coligação, vou continuar a procurar ser o
deputado responsável que sempre procurei ser. Os Açores merecem a nossa
melhor atenção e respeito”, explica.“Não
estou preso a cargos políticos e se eventualmente a consequência dos
meus atos for a realização de novas eleições, por imposição do sr.
representante da República, regressarei à minha vida anterior, com o
sentido de dever cumprido”, prossegue.O
independente, que foi eleito pelo Chega, mas saiu do partido em
divergências com o líder, criticou ainda as “recorrentes ingerências
dentro dos departamentos do Governo Regional” e as “incómodas nomeações
que acontecem todos os dias”.“O
incumprimento de iniciativas acordadas em sede de assinatura do acordo
de incidência parlamentar e, para terminar, o ruinoso caderno de
encargos para a venda da SATA Internacional, não me deixaram outra
solução que não fosse recuar no acordo de incidência parlamentar que
assinei em 2020”, justifica.Furtado diz
não abdicar de “valores” e estar “farto de ver políticas avulsas, para
satisfazer caprichos de pessoas que só pensam em cargos políticos e
protagonismo”.“Não há dinheiro nem tempo para alimentar este estado de coisas, os Açores estarão sempre primeiro”, afirma.O
Governo dos Açores, de coligação PSD/CDS-PP/PPM, perdeu na quarta-feira
o apoio do deputado único da Iniciativa liberal (IL) e do parlamentar
independente, deixando de ter maioria absoluta na Assembleia Legislativa
Regional.O deputado da IL rompeu o acordo
de incidência parlamentar que tinha assinado com o PSD após as eleições
de outubro de 2020, ganhas pelo PS, justificando a decisão com o
incumprimento dos sociais-democratas, tendo sido seguido pelo deputado
independente (ex-Chega) Carlos Furtado, que também se desvinculou do
acordo que tinha com a coligação.Os três
partidos que integram o Governo Regional (PSD, CDS-PP e PPM) têm 26
deputados na assembleia legislativa e contam agora apenas com o apoio
parlamentar do deputado do Chega, José Pacheco, somando assim 27 lugares
num total de 57, pelo que perdem a maioria absoluta. A oposição tem
agora 30 deputados, quando antes tinha 28.Fonte
do gabinete de Pedro Catarino disse na quarta-feira à Lusa que o
representante da República para os Açores não vai tomar posição sobre o
fim dos acordos parlamentares, deixando a Assembleia Legislativa
prosseguir os seus trabalhos e "resolver o problema".O
PS venceu as eleições legislativas regionais de 25 de outubro de 2020
nos Açores, mas perdeu a maioria absoluta, que detinha há 20 anos,
elegendo 25 deputados.