Deputado eleito do Chega diz que democracia está saudável na região
Açores/Eleições
29 de out. de 2020, 18:40
— Lusa/AO Online
"Os
açorianos foram a votos e expressaram as suas muitas vontades. Por um
lado, mantiveram o PS como partido mais votado, por outro, elegeram
novas forças políticas que poderão ser o equilíbrio da democracia. Todo
este processo criou um novo desafio aos agentes políticos", considerou o
secretário-geral do Chega nos Açores em texto publicado no Facebook.O
partido, liderado a nível nacional por André Ventura, estreia-se na
próxima sessão legislativa no hemiciclo açoriano, tendo elegido nas
eleições de domingo José Pacheco e também Carlos Furtado.José
Pacheco reconhece que, com o resultado de domingo, uma vitória relativa
do PS, "uns acham que o eleitorado quer" os socialistas a governar,
"mas fortemente fiscalizado pela oposição", enquanto "outros acham que o
somatório da oposição é a vontade popular de formar um governo à
direita".E acrescenta: "Podem as duas
visões serem corretas? Obviamente que sim, é tudo uma questão de
perspetiva. Já tínhamos visto isto acontecer a nível nacional e
conhecemos as inúmeras opiniões na altura geradas e as consequências que
daí vieram".Sem adiantar se o partido tem
estado em negociações - nomeadamente com o PSD - para viabilizar um
eventual governo de direita, o deputado eleito sublinha que a solução
governativa a encontrar, seja à esquerda ou direita, pode "trazer
estabilidade ou não", dependendo tal "dos protagonistas" da mesma."Quando
os interesses pessoais ou partidários estiverem acima dos interesses
dos açorianos, seja qual for o caminho, será sempre o errado e vestido
da maior fragilidade política e democrática", concretizou.O
PS venceu as eleições regionais de domingo, elegendo 25 dos deputados à
Assembleia Legislativa Regional, mas um bloco de direita, numa eventual
aliança (no executivo ou com acordos parlamentares) entre PSD, CDS,
Chega, PPM e Iniciativa Liberal poderá funcionar como alternativa de
governação na região, visto uma junção de todos os parlamentares eleitos
dar 29 deputados (o necessário para a maioria absoluta).A
lei indica que o representante da República, Pedro Catarino, nomeará o
novo presidente do Governo Regional "ouvidos os partidos políticos"
representados no novo parlamento açoriano.Segundo
indicação dada à agência Lusa por fonte do gabinete do representante da
República, Pedro Catarino só poderá ouvir os representantes dos
partidos políticos eleitos este domingo uma vez publicados os resultados
oficiais em Diário da República, o que ainda poderá demorar alguns
dias.A assembleia de apuramento geral dos
resultados só inicia os seus trabalhos “às 09:00 do segundo dia
posterior ao da eleição” (terça-feira), tendo de concluir o apuramento
dos resultados oficiais “até ao 10.º dia posterior à eleição”.Esses
dados serão posteriormente enviados à Comissão Nacional de Eleições
(CNE), que terá oito dias para enviar “um mapa oficial com o resultado
das eleições” para publicação em Diário da República.Durante
estes dias, é expectável que os partidos encetem negociações para
eventuais formações de governo - juntando várias forças ou apoiado
parlamentarmente - que possam ser apresentadas a Pedro Catarino.Depois
da tomada de posse do próximo Governo dos Açores, haverá um prazo
máximo de 10 dias para o programa do executivo ser entregue à Assembleia
Legislativa.