Deputado do PSD/Açores critica ação do PS na pobreza e é comparado com Chega
26 de nov. de 2019, 21:00
— Lusa/AO Online
Numa
intervenção particularmente crítica em plenário do parlamento dos
Açores, Bruto da Costa abordou dados hoje revelados do Instituto
Nacional de Estatística (INE), que indicam, por exemplo, que os Açores
são a região do país em que uma maior percentagem da população (13,1%)
vive em "privação material"."Este poder
socialista criou uma rede de dependência económica e social sem paralelo
na União Europeia. (...) O PS não quer que os açorianos tenham
autonomia de vida, não quer que os açorianos tenham poder económico e
não quer que os açorianos deixem de precisar de andar de mão estendida à
espera de um subsídio, à espera de um emprego de favor, à espera de um
apoio para enfrentar o dia-a-dia de pobreza e exclusão social",
considerou o social-democrata.Este é o
executivo "que deixa nos Açores uma marca de pobreza que consagra em
pleno a forma de exercício de poder dos regimes socialistas",
acrescentou o vice-presidente da bancada do PSD no parlamento regional.Bruto
da Costa frisou ainda que “onde manda um socialista, há pobreza e
dependência do poder, onde manda um socialista, há desigualdades e
exclusão social, onde manda um socialista, não há desenvolvimento
humano, não há mobilidade social, não há progresso e criação de
riqueza".As palavras de João Bruto da
Costa motivaram reações em três frentes: do vice-presidente da bancada
socialista José San-Bento, da secretária com a tutela da Solidariedade
Social, Andreia Cardoso, e do próprio chefe do executivo dos Açores,
Vasco Cordeiro."Julgo que não é possível
ficar calado quanto à forma extremista, radical, com que o senhor
deputado caracterizou a realidade social na nossa região", começou por
dizer o presidente do Governo Regional.Caracterizando
a "forma" das declarações do deputado do PSD como "particularmente
infeliz" e "sectária", Vasco Cordeiro acusou Bruto da Costa de "há algum
tempo a esta parte" parecer "vir a fazer um caminho progressivo, lento
mas gradual, de se afirmar" nos Açores "como uma encarnação do Chega,
dando azo a um tipo de discurso que não é habitual".No
que à discussão política diz respeito, o presidente do executivo
regional trouxe a debate declarações recentes do candidato a presidente
do PSD/Açores José Manuel Bolieiro, que declarou à agência Lusa que, em
matéria de sem-abrigo, a situação em Ponta Delgada (município a que
preside) não é "caótica" e "há mais um exercício de mendicidade por
opção"."Isto não é um exercício de social-democracia", considerou Vasco Cordeiro.Na
sua intervenção inicial neste ponto do debate do Plano e Orçamento para
2020, a secretária regional da Solidariedade Social realçou que as
prioridades para 2020 "foram estabelecidas em conjunto com as IPSS e
misericórdias dos Açores, em resultado de um processo de diálogo que
culminou com a assinatura do Acordo Base para o biénio 2019-2020""Na
Solidariedade Social, com uma dotação de 45,5 milhões de euros, estamos
comprometidos e motivados para continuar a trabalhar em parceria, com
todas as IPSS e Misericórdias, mas também com os demais departamentos do
Governo, autarquias e demais entidades com intervenção pública, na
implementação de políticas próximas das pessoas e das famílias",
declarou Andreia Cardoso.O parlamento dos Açores iniciou hoje o debate em plenário do Plano e Orçamento para 2020.