Deputado do JPP vai a Bruxelas denunciar novo modelo de mobilidade entre ilhas e continente
Hoje 15:24
— Lusa/AO Online
Em declarações à Lusa, o parlamentar,
que viaja na sexta-feira para Bruxelas e regressa no domingo, explicou
que a visita resulta de uma exposição enviada à Comissão Europeia em
2025 sobre as dificuldades de mobilidade aérea dos residentes nas ilhas,
uma iniciativa que motivou um convite do partido europeu Volt para um
encontro com eurodeputados em Bruxelas.Filipe
Sousa disse que o principal objetivo é “levar, enquanto ilhéu, os
constrangimentos” sentidos na Madeira e nos Açores e alertar que o atual
modelo de mobilidade não cumpre o Tratado da União Europeia nem a
Constituição da República, ao não garantir igualdade de acesso ao
território nacional.Durante a visita, o
deputado pretende também recolher informação sobre a forma como outros
Estados-membros tratam as suas regiões ultraperiféricas, na mobilidade
aérea e marítima, e abordar ainda em matérias relativas à Madeira como
as quotas de pesca do atum e os cortes no programa POSEI.Segundo
o deputado madeirense, a Comissão Europeia já respondeu à exposição
apresentada por si, mas apenas indicando que o assunto está a ser
analisado, porém Filipe Sousa tem a expectativa de que as instituições
europeias possam pressionar o Governo português a rever o modelo de
mobilidade para as regiões autónomas."Espero
que a União Europeia também faça esse 'forcing' (...) e também
envergonhe o Governo da República. Eu acho que tem esse poder de fazer
sentir que o Governo está a agir erradamente no que diz respeito à
continuidade territorial com as ilhas, com os portugueses residentes nas
ilhas", frisou.O parlamentar sublinhou
ainda que apresentou na Assembleia da República uma proposta de
alteração ao regime do subsídio social de mobilidade de forma a permitir
que os residentes nas ilhas paguem apenas a sua parte do bilhete,
cabendo ao Estado “tratar da sua parte diretamente com os operadores e
companhias aéreas”.Apesar da insistência
do JPP, Filipe Sousa admitiu que é difícil que a iniciativa seja
viabilizada “tendo em conta os antecedentes” de outros partidos, mas
ressalvou que nota que, “aos poucos, alguns deputados já se vão
apercebendo das dificuldades” dos ilhéus.Para
esta sexta-feira, o deputado tem agendada, além de um encontro com
eurodeputados do Volt Europa, uma reunião com um representante do
gabinete do vice-presidente do Parlamento Europeu, Younous Omarjee.Criado
em 2015, o subsídio social de mobilidade garante passagens aéreas entre
a Madeira e continente (ida e volta) a 79 euros para residentes e 59
euros para estudantes, mas implica o pagamento do bilhete na totalidade,
até ao teto máximo de 400 euros, valor que por vezes é ultrapassado
pelas companhias, sendo que o reembolso é processado após a viagem.No
caso dos Açores, o valor máximo pago é de 119 euros para residentes no
arquipélago e 89 para estudantes, havendo um limite de 600 euros no
custo elegível da passagem e sendo também necessário pagar primeiro a
totalidade do valor no ato de compra.O
novo regime do subsídio social de mobilidade, que entrou em vigor em 06
de janeiro, impõe a obrigatoriedade de ausência de dívidas ao fisco e à
Segurança Social para aceder ao subsídio de mobilidade, uma norma
entretanto suspensa até 31 de janeiro.