Deputado do Chega nos Açores compara sindicatos a “cartéis criminosos”
Hoje 10:43
— Lusa/AO Online
“Como é que é
possível termos um país refém dos sindicatos quando precisamos de fazer
uma alteração à lei laboral”, questionou o também líder da bancada do
Chega no parlamento dos Açores, considerando que os portugueses estão
“reféns de cartéis criminosos” que pretendem “destruir” Portugal.José
Pacheco, que falava durante uma interpelação ao Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM) sobre emprego e qualificação, apresentada pela bancada
social-democrata na Assembleia Legislativa dos Açores, na Horta,
defendeu ainda ser “preciso “acabar com o comunismo em Portugal, a
começar pelos Açores”.As declarações de
José Pacheco foram contestadas pelo deputado do BE, António Lima, que
considerou não ser admissível que o parlamento se refira aos sindicatos
com termos insultuosos.“Os sindicatos são
constituídos por pessoas de bem e são parte integrante e indispensável
do funcionamento da democracia e não é admissível que neste
parlamento haja deputados que os insultem desta forma, chamando-os de
organizações criminosas”, criticou.O
presidente da Assembleia Legislativa dos Açores, o social-democrata Luís
Garcia, aproveitou a ocasião para advertir o deputado do Chega,
considerando “exagerada” a linguagem utilizada por aquele partido.“Discordar
dos sindicatos ou de outras estruturas é democrático, chamar as pessoas
de criminosos acho que é um exagero absoluto, que não é tolerável”,
salientou.Na interpelação ao Governo
Regional, o deputado do PSD Joaquim Machado lembrou a redução
“histórica” da taxa de desemprego nos Açores a partir de 2020, ano em
que tomou posse o atual presidente do executivo, o social-democrata José
Manuel Bolieiro.“Estamos ainda longe do
desejável? Obviamente que sim. Mas, ao contrário do que aconteceu no
passado socialista, estamos finalmente a recuperar o atraso, estamos a
fazer caminho”, realçou o parlamentar, recordando que em 2019 (último
ano da governação socialista na região), havia cerca de
11.200 desempregados no arquipélago, número de baixou para “quase
metade” seis anos depois.Pelo PS, a
deputada Cristina Calisto contrapôs que o PSD só fala de emprego e de
formação profissional porque todos os outros setores de atividade da
região estão a ‘correr mal’ ao Governo Regional."Quando
o turismo mostra sinais de retração, quando agricultura angustia-se com
o preço do leite, quando as pescas estão em situação dramática, quando
os empresários clamam por um governo que não seja ausente e, em muitos
casos, incompetente, o PSD agarra-se como um náufrago aos destroços e
aos poucos números que ainda podem flutuar”, apontou a deputada
socialista.Pedro Neves, deputado do PAN,
admitiu que houve uma melhoria na taxa do desemprego nos Açores, durante
a governação da coligação de direita, mas lembrou que isso não
significa que o emprego tenha “qualidade”.“Nos
Açores há emprego, mas continua a haver pobreza. Há pessoas a
trabalhar, mas não conseguem pagar uma casa [...], suportar o custo de
vida e [...] construir um projeto de vida digno nas nossas ilhas”,
disse.Pedro Ferreira, deputado da
Iniciativa Liberal acrescentou que “não basta ter emprego, é preciso
também que esse emprego permita viver com dignidade”, recordando que nos
Açores há pessoas que trabalham, “mas sem conseguir sair da pobreza”,
enquanto os jovens qualificados abandonam a região “porque não encontram
perspetivas de futuro”.Da bancada do
CDS-PP, o deputado Luís Silveira reconheceu que, apesar de os
estatísticos terem melhorado em matéria de emprego na região, é preciso
continuar a investir na formação e na qualificação dos jovens.“Aquilo
que hoje sentimos em vários setores de atividade é uma dificuldade cada
vez maior em encontrar mão-de-obra disponível e qualificada, para
responder às necessidades da economia”, afirmou. Já
o deputado do PPM João Mendonça elogiou o caminho traçado pelo
executivo de coligação e lembrou que “não há justiça social, sem
qualificação”.Durante a interpelação, a
secretária regional da Juventude, Emprego e Formação Profissional, Maria
João Carreiro, anunciou que o executivo vai criar uma comissão
consultiva sobre a qualificação profissional, para acompanhar os jovens
açorianos no seu processo de formação.