Deputadas do BE apresentam queixa ao MP por ameaças em 'e-mail' dirigido à SOS Racismo
13 de ago. de 2020, 12:39
— Lusa/AO Online
“O Bloco deu
imediatamente conhecimento [do ‘e-mail’] à PJ [Polícia Judiciária], as
duas deputadas do Bloco irão apresentar queixa ao Ministério Público”,
disse à Lusa fonte oficial do BE.As
deputadas do Bloco de Esquerda visadas no ‘email’ são Beatriz Gomes Dias
e Mariana Mortágua, mas a deputada não inscrita (ex-Livre) Joacine
Katar Moreira também é visada, tal como o dirigente do SOS Racismo
Mamadou Ba e Jonathan Costa, da Frente Unitária Anti-Fascista, entre 10
cidadãos.“Informamos que foi atribuído um
prazo de 48 horas para os dirigentes antifascistas e antirracistas
incluídos nesta lista, para rescindirem das suas funções políticas e
deixarem o território português”, lê-se no ‘e-mail’ em causa, a que a
Lusa teve acesso. Na mensagem eletrónica
refere-se que se o prazo for ultrapassado “medidas serão tomadas contra
estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança
do povo português”, e que “o mês de agosto será o mês do reerguer
nacionalista”. Com data de 11 de agosto, a
mensagem de correio eletrónico foi enviada, a partir de um endereço
criado num ‘site’ de ‘e-mails’ temporários, para o SOS Racismo e é
assinada por “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”, a mesma
designação de um grupo que reclamou, na rede social Facebook, ter
realizado, de cara tapada e tochas, uma “vigília em honra das forças de
segurança” em frente às instalações da SOS Racismo, em Lisboa, e que um
dos dirigentes desta associação, Mamadou Ba, classificou como
“terrorismo político”. Mamadou Ba esteve hoje a prestar declarações na Polícia Judiciária (PJ). A notícia foi avançada pela RTP e confirmada pela Lusa junto de fonte policial. Em
declarações à RTP, junto à sede da PJ, em Lisboa, Mamadou Ba disse que
ele próprio e outras pessoas receberam um ‘e-mail’ na terça-feira a dar
um prazo de 48 horas para abandonarem o país, senão corriam risco de
vida.