Deputada independente açoriana questiona situação de doentes deslocados
Covid-19
30 de mar. de 2020, 15:00
— Lusa/AO Online
Em requerimento entregue no parlamento
açoriano, Graça Silveira diz que “não faz sentido deixar doentes
deslocados entregues à sua sorte com 30 euros de diária (que só será
paga quando regressar a casa), ao mesmo tempo que os passageiros dos
voos que chegam aos Açores, em clara atitude de desobediência, têm
direito a 14 dias num hotel de 4 estrelas com pensão completa”."São
dezenas os açorianos deslocados da sua ilha de residência que se
encontram há 14 dias em residenciais, a pagar o quarto e as refeições,
com um apoio diário de 36,28 euros, claramente insuficiente, e que só o
receberão quando forem reembolsados, enquanto os passageiros dos voos
que chegam aos Açores, em clara atitude de desobediência, têm direito a
14 dias num hotel de 4 estrelas com pensão completa", refere na nota
enviada às redações.A deputada
independente no parlamento dos Açores salienta que “estes doentes não se
deslocaram por sua vontade, mas por necessidade e por decisão da
Secretaria Regional da Saúde, através do Serviço Regional de Saúde",
alertando que "alguns deles têm mais de 60 anos” e estão “sem serem
contactados por ninguém, sequer para avaliar o seu estado de saúde”, em
residenciais.Em causa estão “dezenas de
doentes que foram chamados para se deslocar a hospitais fora da sua ilha
de residência para a realização de exames complementares de
diagnóstico, tratamentos ou consultas, que acabaram por nem acontecer.
Entretanto, as ligações interilhas foram suspensas, ficando estes
doentes impossibilitados de regressar às suas ilhas de residências e,
consequentemente, encontrando-se alojados em residenciais, desde o
passado dia 16 de março”, aponta.Graça
Silveira refere que “o diretor regional de Saúde, quando questionado
pelos órgãos de comunicação social, se estes doentes deslocados já
tinham sido autorizados a regressar às suas ilhas de residência, que se
acumulam há 14 dias em residenciais, respondeu que a Autoridade Regional
de Saúde está a ter alguma dificuldade de despachar os diferentes
pedidos porque há muitos requerimentos, inclusivamente de açorianos que
pedem para ir de férias”.No requerimento, a
parlamentar questiona o Governo sobre “quantos doentes" estão
deslocados para a realização de exames complementares de diagnóstico,
tratamentos ou consultas, "depois de ter sido declarado estado de
contingência nos Açores”.A deputada
independente pretende saber “quantos doentes se encontram, neste
momento, deslocados fora das suas ilhas de residência, por força de
agendamentos do próprio Serviço Regional de Saúde”.“Quais
as garantias de que estes doentes de risco estão efetivamente isolados
e, consequentemente, protegidos quanto à contaminação por covid-19?” e
porque razão "ao fim de 14 dias, a Autoridade Regional de Saúde não deu,
ainda, despacho aos requerimentos para que estes doentes voltem à sua
ilha de residência?”, questionou.Por fim,
Graça Silveira pretende saber “que apoios o Governo Regional acionou"
para estes doentes "impossibilitados" do regresso às suas ilhas e porque
motivo não foi decidido "alojar estes doentes deslocados nas mesmas
condições" que todos os passageiros que aterram nos Açores e que têm
confinamento obrigatório em hotéis.