Depósito de resíduos representa 11,5% das ocorrências da avaliação das ribeiras nos Açores
31 de jan. de 2023, 13:07
— Lusa/AO Online
“Apesar de se ter verificado
uma melhoria ao nível do abandono e do depósito de resíduos, a verdade é
que continua a ser a segunda tipologia mais frequente. Representa 11,5%
dos casos, com incidência maioritariamente nas ilhas de São Miguel e
Terceira”, adiantou o secretário regional do Ambiente e Alterações
Climáticas, Alonso Miguel.O governante
falava aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, à margem
da apresentação do Relatório do Estado das Ribeiras dos Açores,
referente ao ano de 2022.Alonso Miguel
disse que o depósito de resíduos em ribeiras ainda é “muito
representativo” e admitiu a necessidade de reforçar as ações de
sensibilização da população.“É verdade que
temos tido uma evolução positiva, mas é preciso continuar a trabalhar e
a melhorar. Isso carece de um reforço de ações de sensibilização, coisa
que a secretaria regional tem vindo a fazer ao longo destes dois anos e
que planeamos continuar a intensificar para conseguirmos baixar ainda
mais a representatividade deste tipo de prática”, vincou.A
maioria das ocorrências detetadas estava relacionada com a obstrução de
linhas de água, provocada por intempéries, situações que tendem a
aumentar nos próximos anos.“O que é
expectável é que aumente a frequência e a intensidade de episódios de
eventos meteorológicos extremos e, assim sendo, o que é facto é que se
espera que possa continuar a aumentar o número de ocorrências. Nesse
sentido, ter as linhas de água devidamente mantidas, limpas,
desobstruídas é um grande contributo para que nós possamos mitigar o
efeito desse aumento de ocorrências”, frisou o titular da pasta do
Ambiente.No período entre setembro de 2021
e setembro de 2022 foram feitos 533 novos registos de avaliação da
situação das ribeiras nos Açores, o segundo maior número desde que o
executivo açoriano deu início ao relatório, em 2014.“Foram
detetadas 228 novas ocorrências, um valor que está bastante acima da
média dos últimos cinco anos e que se fica a dever essencialmente à
enorme frequência de intempéries e de episódios de precipitação intensa
no ano de 2022”, explicou Alonso Miguel.A
avaliação envolveu 228 bacias hidrográficas, com cerca de 560 km de
extensão, mas a região tem mais de 700, num total de 7.000 km de
extensão.O secretário regional do Ambiente sublinhou, por isso, a importância do relatório para priorizar as intervenções.“Os
meios são finitos, são em alguns casos escassos, daí haver a
necessidade de fazer uma priorização das intervenções, mas todos os
departamentos do Governo Regional e todos os municípios, visando
proteger as suas populações e bens, têm interesse em resolver
rapidamente estas ocorrências. Há um grande esforço de todas as
entidades que intervêm neste processo para fazê-lo o quanto antes e com a
maior eficiência possível”, apontou.Das ocorrências detetadas no relatório, apenas 28,2% apresentavam necessidade de intervenção urgente e 6,3% muito urgente.Neste momento, estão identificadas nove situações muito urgentes, uma no Faial, três no Pico e cinco em Santa Maria.“Muitas
vezes, estamos a falar de derrocadas, movimentos de vertente,
estreitamentos de linha de água, que são situações que carecem de uma
intervenção urgente. Quando assim é, rapidamente é determinada a
responsabilidade de intervenção e é comunicada essa necessidade de
urgência”, explicou o governante.O Plano
de Investimentos da Região para 2023 contempla uma verba de cerca de 800
mil euros para manutenção e requalificação da rede hidrográfica, para
além dos trabalhos de manutenção regulares.