Deloitte identifica várias falhas na logística e compras do HDES
Hoje 09:13
— Filipe Torres
O diagnóstico elaborado pela Deloitte Business Consulting concluiu que o
Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), enfrenta fragilidades
significativas nos serviços de apoio, logística e compras associados ao
Bloco Operatório, defendendo uma reorganização estrutural e uma aposta
reforçada na digitalização dos processos. Segundo o estudo que foi
publicado na ALRAA no âmbito da resposta ao requerimento do PS/Açores, o
relatório identifica 59 pontos críticos distribuídos por várias áreas
operacionais, com especial incidência na Gestão de Compras e no
Aprovisionamento. Segundo a consultora, o modelo atualmente em
funcionamento é “fragmentado e não totalmente centralizado”, gerando
ineficiências, falta de coordenação e dificuldades na definição de
responsabilidades. O documento refere ainda que o sistema Glintt está
subaproveitado, mantendo-se uma forte dependência de processos manuais e
documentação em papel. Além disso, afirma que os processos de
planeamento são pouco estruturados, impactando em compras reativas e
pontuais.Na área do Aprovisionamento, a Deloitte alerta para
problemas frequentes de stock, compras não planeadas e limitações
físicas dos armazéns, apontando igualmente para a necessidade de
reorganizar as equipas e melhorar os mecanismos de controlo logístico. A
Farmácia hospitalar é descrita como uma “estrutura paralela de compras
em silo”, enquanto no Bloco Operatório os consultores identificaram
situações de descontrolo logístico, nomeadamente a entrega direta no
Bloco de materiais sem passagem pelo Aprovisionamento, pedidos efetuados
fora do sistema Glintt e inexistência de um catálogo estruturado de
materiais. Também os serviços financeiros são alvo de críticas,
devido à forte componente manual dos processos, “ampliando risco de erro
e atrasos”, e à falta de planeamento e orçamentação, limitando a
monitorização.Para responder aos problemas identificados, a Deloitte
propõe sete medidas estratégicas, entre as quais a centralização das
compras num serviço especializado por categorias e a transformação do
atual Aprovisionamento numa estrutura de Logística. A consultora
recomenda ainda que todas as requisições de material passem
obrigatoriamente pela Farmácia e pela Logística, garantindo maior
controlo de stock e uniformização de procedimentos. O plano inclui
igualmente a criação de um catálogo único de materiais, a eliminação do
papel nas requisições, a utilização plena das funcionalidades do sistema
Glintt e a implementação gradual das mudanças através de
projetos-piloto.O relatório alerta, contudo, para riscos como a
resistência à mudança por parte das chefias e equipas operacionais, além
da sobrecarga das lideranças durante a transição. Para minimizar esses
impactos, a Deloitte recomenda, por exemplo, equipas dedicadas de gestão
de projeto, maior envolvimento das chefias e reforço da formação e
comunicação interna.O Açoriano Oriental contactou o HDES para mais esclarecimentos, com o hospital a remeter para mais tarde.