Delegada de Saúde Pública defende 13 de Outubro em Fátima sem peregrinos
Covid-19
18 de set. de 2020, 11:51
— Lusa/AO Online
"A minha
posição é a posição que a Igreja adotou para o 13 de Maio", disse hoje à
agência Lusa Maria dos Anjos Esperança, coordenadora da Unidade de
Saúde Pública (USP) do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio
Tejo, tendo defendido a realização das "cerimónias, sim, mas sem
peregrinos" naquele município do distrito de Santarém."A
Igreja que tão bem esteve no 13 de Maio, fazendo a transmissão das
cerimónias para que todos as pudessem acompanhar, acho que agora em
outubro, para bem da população, para bem de todos, poderia também adotar
essa postura. Eu sou dessa opinião", afirmou.Maria
dos Anjos Esperança observou que, "também o povo se portou muito bem no
13 de Maio, não se deslocou a Fátima, e compreendeu perfeitamente a
situação que estávamos a viver", aludindo à pandemia de covid-19."Com
os aumentos do número de casos que tem havido ultimamente, não só no
país como em muitos outros países da Europa, eu sou da opinião que
cerimónias em Fátima sim, mas sem peregrinos", insistiu. O
acesso ao Santuário de Fátima, no concelho de Ourém, foi bloqueado no
domingo, dia 13 de setembro, quando o complexo religioso atingiu a
lotação máxima permitida no contexto da pandemia de covid-19, disse a
porta-voz da instituição.A diretora-geral
da saúde, Graça Freitas, disse na quarta-feira não parecer "expectável"
que o santuário de Fátima tenha 55 mil pessoas nas cerimónias de 13 de
outubro e disse que as autoridades nem foram contactadas sobre a
matéria.Em conferência de imprensa em
Lisboa sobre a pandemia de covid-19, e a uma pergunta sobre como vê as
dúvidas do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a
possibilidade de estarem mais de 50.000 pessoas no Santuário em 13 de
outubro, Graça Freitas respondeu que a Direção-Geral da Saúde (DGS) "não
sabe” de onde surgiu este número."Não nos
chegou nenhum pedido de parecer, nenhum plano de contingência, nenhuma
planta do Santuário, e portanto não nos parece expectável que, estando
nós em situação de contingência, com uma epidemia a subir, e apesar de
(nem) a DGS ou qualquer outra autoridade de saúde ter sido consultada
sobre o assunto, não nos parece expectável 55 mil pessoas no santuário",
disse Graça Freitas.Ainda assim a
responsável disse ser uma apreciação precoce, porque a DGS aguarda
"poder colaborar" e "ajudar o Santuário" sendo que para isso é
necessário haver conversações e um plano de contingência.Na
terça-feira o Presidente da República disse temer que a perceção da
sociedade sobre o 13 de outubro, em Fátima, com 50 mil pessoas, seja
menos positiva do que a das autoridades envolvidas, perante o aumento de
infetados por covid-19.