Defesa de Salgado ataca rejeição de perícia médica e “simulação de instrução”
BES/GES
5 de mai. de 2023, 16:46
— Lusa/AO Online
No tribunal de
Monsanto (Lisboa), o advogado Adriano Squilacce fechou o quarto dia de
debate instrutório com palavras duras contra a forma como decorreu a
instrução desde setembro, sob a liderança do juiz Pedro Santos Correia,
contra o Conselho Superior da Magistratura (CSM) pela substituição do
juiz Ivo Rosa, e contra a posição do Ministério Público (MP) sobre a
perícia invocada devido ao diagnóstico de Doença de Alzheimer atribuído
ao ex-presidente do BES.“Há medo de fazer
uma perícia médica objetiva e independente ao arguido. O arguido
encontra-se numa situação de não poder exercer a sua defesa”, acusou o
mandatário de Ricardo Salgado, sublinhando a degradação do estado de
saúde do ex-banqueiro, conforme foi evidenciado nos relatórios médicos
que juntaram ao processo: “O tribunal não explica como é que um arguido
com doença de Alzheimer não vê o seu direito de defesa beliscado”.“Como
se pode explicar que o exercício de defesa na instrução se pode fazer
assim? Queria o tribunal verificar que o arguido viesse aqui sem
perceber o que é dito e com episódios de incontinência? E que depois
teríamos de interromper a diligência para higienizar a sala de
audiência? Queria o tribunal verificar as alterações da marcha e
equilíbrio do arguido? Só não está verificado por perícia porque o
tribunal não quis”, referiu.Considerado um
dos maiores processos da história da justiça portuguesa, este caso
agrega no processo principal 242 inquéritos, que foram sendo apensados, e
queixas de mais de 300 pessoas, singulares e coletivas, residentes em
Portugal e no estrangeiro. Segundo o MP,
cuja acusação contabilizou cerca de quatro mil páginas, a derrocada do
Grupo Espírito Santo (GES), em 2014, terá causado prejuízos superiores a
11,8 mil milhões de euros.