Defesa de padre que se tentou entregar por abusos sexuais critica burocracia da PGR
17 de fev. de 2023, 12:27
— Lusa/AO Online
Em
declarações à Lusa, o advogado Miguel Santos Pereira explica que o
padre do Funchal – sobre quem o Ministério Público (MP) acionou em
janeiro um pedido de cooperação internacional para notificar o arguido
da acusação - esteve a viver durante o último ano em Portugal “de forma
tranquila” e questiona as diligências efetuadas para a sua localização,
acrescentando que nada pôde ser formalizado esta quinta-feira na PGR.Segundo
o Observador, o padre Anastácio Alves tentou na quinta-feira
entregar-se na PGR em Lisboa, mas acabou por não ser recebido pela
Procuradora-Geral da República, Lucília Gago, nem notificado formalmente
da acusação do MP.“Fica difícil colaborar
com a justiça, ainda mais numa semana em que é dado à estampa um
relatório sobre abusos na Igreja. Todos nós batemos com a mão no peito –
o MP, a Igreja, todos - e quando, afinal, queremos efetivar as coisas,
parece que ninguém sabe o que anda a fazer. Isto é triste. Não é um
problema da justiça, é um problema do país. Reflete o que é o país em
termos de burocracia, somos um país de ‘mangas de alpaca’”, afirma.De
acordo com uma nota divulgada no ‘site’ do MP em janeiro deste ano, o
ex-padre madeirense foi acusado em março de 2022 de quatro crimes de
abuso sexual de crianças e um crime de atos sexuais com adolescente,
tendo sido realizadas de diligências para o localizar, em França e
Portugal, que “resultaram infrutíferas”.