Defesa de João Rendeiro acede a processo de extradição e aguarda julgamento com "expectativa"
BPP
5 de abr. de 2022, 10:29
— Lusa/AO Online
“Vou
recolher pessoalmente os documentos de extradição e visitar João
Rendeiro. Aguardamos com expectativa o pré-julgamento e o julgamento.
Irei recolher os documentos e levá-los de volta ao meu cliente”, disse
June Marks à Agência Lusa, clarificando que o processo será recolhido no
tribunal de Verulam (África do Sul).A
mandatária do ex-banqueiro, de 69 anos, visitou-o e assegurou que
“ele está bem” e que não houve deterioração das condições na prisão de
Westville, onde João Rendeiro se encontra desde dezembro de 2021, após a
sua detenção num hotel da cidade de Durban.“Vi-o
hoje e voltarei amanhã. E ele disse que aguardava o julgamento com
expectativa”, reiterou a advogada, em alusão à sessão preparatória no
tribunal marcada para 20 de maio, já com a presença da defesa e do
Ministério Público sul-africano, bem como o julgamento, que vai decorrer
entre os dias 13 e 30 de junho.As
autoridades sul-africanas receberam no dia 25 de março, por via
diplomática, a documentação relativa ao processo de extradição de João
Rendeiro, adiantou então a PGR. Os
documentos enviados em janeiro pela PGR para a África do Sul regressaram
a Portugal em fevereiro, depois de se ter percebido numa sessão em
tribunal que a fita que selava os documentos em português estava
quebrada. No entanto, a fita dos documentos traduzidos para inglês
estava intacta.Detido a 11 de dezembro na
cidade de Durban, após quase três meses fugido à justiça portuguesa,
João Rendeiro foi presente ao juiz Rajesh Parshotam, do tribunal de
Verulam, que lhe decretou a 17 de dezembro a medida de coação mais
gravosa, colocando-o em prisão preventiva no estabelecimento prisional
de Westville.O ex-banqueiro foi condenado
em três processos distintos relacionados com o colapso do BPP, tendo o
tribunal dado como provado que retirou do banco 13,61 milhões de euros.
Das três condenações, apenas uma já transitou em julgado e não admite
mais recursos, com João Rendeiro a ter de cumprir uma pena de prisão
efetiva de cinco anos e oito meses.João
Rendeiro foi ainda condenado a 10 anos de prisão num segundo processo e a
mais três anos e seis meses num terceiro processo, sendo que estas duas
sentenças ainda não transitaram em julgado.O colapso do BPP, em 2010, lesou milhares de clientes e causou perdas de centenas de milhões de euros ao Estado.