Defesa de ex-padre que se tentou entregar na PGR já pediu notificação da acusação no continente
22 de fev. de 2023, 11:55
— Lusa/AO Online
O
requerimento, a que a Lusa teve acesso, foi enviado na terça-feira para a
Procuradoria da República da Comarca da Madeira, pedindo “a notificação
da acusação pública” deduzida em março de 2022 contra o antigo
sacerdote madeirense.Foi igualmente
solicitada a “prévia constituição formal de arguido, na comarca da área
da sua residência”, que, segundo fonte da defesa, é agora no continente e
não na região autónoma da Madeira, de onde Anastácio Alves é oriundo. O
documento, assinado pelo advogado Miguel Santos Pereira (que acompanhou
com a sua equipa o antigo sacerdote até à PGR na semana passada), é
dirigido à procuradora do MP do Departamento de Investigação e Ação
Penal (DIAP) do Funchal, bem como ao juiz de direito, no caso de o
processo já ter seguido para o tribunal de julgamento.De
acordo com o que adiantou então o jornal Observador, Anastácio Alves
tentou entregar-se em 16 de fevereiro na PGR em Lisboa, mas acabou por
não ser recebido pela procuradora-geral da República, Lucília Gago, nem
notificado formalmente da acusação do MP.Na
sequência deste caso, a PGR emitiu um esclarecimento na última
sexta-feira, no qual referiu que “no processo não foi determinada pelo
magistrado titular a emissão de mandados de detenção nacionais ou
internacionais, pelo que se revelava inviável a detenção do arguido”.A
nota divulgada pela PGR refere ainda que a notificação da acusação do
Ministério Público (MP) ao ex-sacerdote madeirense “é um ato processual
que deve ser realizado no âmbito do concreto processo”, com este a
correr termos no DIAP do Funchal, e que Anastácio Alves assumiu
formalmente a condição de arguido quando foi proferido o despacho de
acusação, em março de 2022.De acordo com
uma nota divulgada no ‘site’ do MP em janeiro deste ano, quando foi
emitido um pedido de cooperação judiciária internacional, o ex-padre
madeirense foi acusado de quatro crimes de abuso sexual de crianças e um
crime de atos sexuais com adolescente, tendo sido realizadas
diligências para o localizar, em França e Portugal, que “resultaram
infrutíferas”. Em setembro de 2018, quando
o padre Anastácio Alves exercia funções em França, a Diocese do Funchal
comunicou o seu afastamento da ação pastoral por suspeita de abuso
sexual de um menor na região autónoma.