Defesa de Bolsonaro anuncia intenção de recorrer, “inclusive no âmbito internacional”
12 de set. de 2025, 14:39
— Lusa/AO Online
"A defesa entende que as penas
fixadas são absurdamente excessivas e desproporcionais e, após analisar
os termos do acórdão, ajuizará os recursos cabíveis, inclusive no âmbito
internacional", lê-se, num comunicado assinado pelos advogados Celso
Vilardi e Paulo Amador da Cunha Bueno.Apesar
de garantirem que respeitam a decisão da Primeira Turma do Supremo
Tribunal Federal, os advogados reiteram "que o ex-presidente não atentou
contra o Estado Democrático, jamais participou de qualquer plano e
muito menos dos atos ocorridos em 08 de janeiro" de 2023.A
defesa insistiu ainda nos argumentos de que o ex-presidente deveria ter
sido julgado pela primeira instância ou, pelo plenário do Supremo
Tribunal Federal e "que a falta de tempo hábil para analisar a prova
impediu a defesa de forma definitiva".Antes
da divulgação do comunicado dos advogados, o senador Flávio Bolsonaro,
filho mais velho do ex-presidente brasileiro, afirmou que o julgamento
do pai foi uma "farsa" e prometeu que os seus apoiantes vão "lutar até
ao fim"."A mensagem que eu quero deixar
aqui agora, depois de passar por esses momentos, agora, com o presidente
Bolsonaro, é uma mensagem dele a toda população", disse o senador à
imprensa, à porta do condomínio em Brasília, onde o pai se encontra em
prisão domiciliária por ter incumprido medidas cautelares impostas."O
mínimo que exigimos é que Alexandre de Moraes devolva tudo o que ele
tomou de Bolsonaro e da direita. A pacificação só virá com a amnistia
total, criminal, administrativa e eleitoral", declarou, referindo-se
tanto ao juiz relator do processo como à amnistia que os parlamentares
afetos a Bolsonaro vão procurar fazer passar no Congresso brasileiro.O
Supremo Tribunal Federal do Brasil condenou na quinta-feira Jair
Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, depois da Primeira Turma do
Supremo Tribunal Federal ter formado maioria para condenar o
ex-presidente por tentativa violenta de abolição do Estado de Direito
Democrático, golpe de Estado, participação em organização criminosa
armada, dano qualificado e deterioração de património.Bolsonaro foi ainda considerado culpado de liderar a organização julgada criminosa.Os
juízes Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, que tinham votado
pela condenação de Bolsonaro, acompanharam a proposta de Alexandre de
Moraes.Além de Jair Bolsonaro, foram
condenados o deputado federal Alexandre Ramagem, o almirante Almir
Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, o ex-ministro da Justiça,
Anderson Torres, o general na reserva e ex-chefe do Gabinete de
Segurança Institucional da Presidência da República, Augusto Heleno, o
tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, o
general e ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, e o general na
reserva e ex-ministro da Casa Civil, Walter Braga Neto.O
único voto divergente entre o coletivo de juízes foi de Luiz Fux, que
absolveu Bolsonaro de todas as acusações por, na sua opinião, não
existirem provas suficientes.A entrada na prisão não será automática, pois ainda há margem para alguns recursos.Após
a publicação do acórdão, a defesa e a acusação podem interpor embargos
de declaração, no prazo de cinco dias, para corrigir eventuais
contradições ou omissões. Esses recursos podem prolongar o processo por
semanas ou meses.