Deco sugere 18 medidas num roteiro para as famílias sobreviverem à crise
15 de mar. de 2023, 06:55
— Lusa/AO Online
Lançado
quando se assinala o Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, o roteiro
da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) pretende
incentivar o debate público sobre as condições de vida dos consumidores e
assegurar a tomada de decisões que possam "promover o bem estar social e
económico dos cidadãos”.Entre as 18
sugestões da Deco estão, na área da alimentação, a criação de um
observatório que fiscalize a evolução dos preços dos bens, bem como das
práticas comerciais, e legislação que reforce a transparência e a
obrigação de informação ao consumidor em produtos alvo de reduflação
[quando reduzem as embalagens mantendo os preços].O
reforço da oferta de produtos de marca própria e nacionais, com
especial enfoque num cabaz de bens essenciais, é outra das sugestões do
roteiro para sobreviver à crise.Na área da
mobilidade, a Deco defende o direito ao reembolso por parte de
titulares de passes em caso de greve, a criação de uma tarifa social
para os transportes públicos coletivos e a isenção de IVA no transporte
ferroviário, incluindo no suplemento de bagagem pelo transporte de
bicicletas e trotinetes.Na habitação
sugere incentivos fiscais e sociais “que garantam um verdadeiro
equilíbrio e oferta no mercado”, a criação de “programas inclusivos” e
adaptados às necessidades de todos os consumidores, que incluam o
arrendamento e a aquisição de habitação própria e permanente, e menos
burocracia no apoio ao desempenho energético habitacional.Além
da redução para 6% no IVA de todas as componentes da fatura de
eletricidade e gás natural, a Deco propõe a reavaliação dos critérios da
tarifa social, tendo em consideração o atual contexto da inflação e o
alargamento dos beneficiários relativamente ao gás natural, assim como a
simplificação e apoio à mudança de comercializador.Já
na área das comunicações eletrónicas, sugere a disponibilização, por
parte de todos os operadores, de um pacote económico de serviços que
inclua telefone (fixo e móvel), internet e TV (número reduzido de
canais, mas de oferta variada), a preços reduzidos e sem contrapartidas.Defende
igualmente a interdição – com medidas temporárias - de aumentos anuais
dos serviços de comunicações superiores à média ponderada da taxa de
inflação dos últimos 10 anos, assim como a proibição do aumento dos
preços e taxas aplicáveis a serviços postais durante este ano.No
roteiro para sobreviver à crise elaborado pela Deco há ainda sugestões
como a aplicação obrigatória da tarifa social por todas as entidades
gestoras de abastecimento, saneamento e resíduos e a aplicação de
tarifas de resíduos que premeiem quem separe para reciclar.Com
as soluções apresentadas neste roteiro, a Deco diz acreditar que as
famílias “conseguirão ultrapassar a crise, assegurando a salvaguarda dos
seus direitos e interesses por todos os setores da economia nacional”.