Deco exige reforço da informação aos passageiros com origem no Reino Unido
Covid-19
22 de dez. de 2020, 14:01
— Lusa/AO Online
Na
segunda-feira, dezenas de passageiros provenientes do Reino Unido
ficaram retidos durante várias horas no aeroporto de Faro para fazerem o
teste da covid-19, pelo qual teriam de pagar 100 euros.A
situação decorre das restrições decretadas no domingo pelo Governo
português para a entrada de passageiros de voos provenientes do Reino
Unido, que passa a ser permitida apenas a cidadãos nacionais ou
legalmente residentes em Portugal, na sequência da identificação naquele
país de uma variante mais contagiosa do novo coronavírus, que provoca a
doença covid-19.À chegada a Portugal os
passageiros têm de apresentar um teste laboratorial de rastreio negativo
ao SARS-Coov-2 realizado nas últimas 72 horas.Segundo
o decreto governamental, caso não tenham o teste negativo à covid-19 os
passageiros serão encaminhados para a realização do teste no interior
do aeroporto, através de profissionais de saúde habilitados para o
efeito", ficando em isolamento.Em
declarações à agência Lusa, a jurista da Associação Portuguesa para a
Defesa do Consumidor (Deco) Susana Correia disse que “é inaceitável” o
que aconteceu no aeroporto de Faro, lamentando também “a ausência de
assistência durante as horas em que ficaram retidos”.“Os
consumidores têm de ser acautelados e defendidos nos seus interesses
económicos, porque estes passageiros não tiveram informação e, na
verdade, hipótese de realizar o teste atempadamente e depois foram
confrontados com um custo de 100 euros à chegada”, frisou.Susana
Correia considerou que, além das transportadoras aéreas, também a ANA –
Aeroportos de Portugal e a Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC)
tem responsabilidades, na informação e assistência aos passageiros.A
jurista adiantou que muitos destes passageiros “são famílias que vêm
passar o Natal, algumas com agregados familiares de quatro pessoas e que
têm de suportar 400 euros que não estavam previstos e para o qual não
estavam preparadas”.“Muitas pessoas não
dispõem desta quantia de dinheiro para fazer o pagamento e a Deco
entende que, neste caso, não devem ser responsáveis por este pagamento,
porque os custos não foram atempadamente comunicados”, sublinhou.Susana
Correia criticou também o longo tempo de espera a que os passageiros
foram obrigados para a realização dos testes, considerando que “a forma
como o processo foi organizado também coloca muitas questões”.“Temos
relatos de pessoas que não tiveram qualquer assistência e o que
pretendemos é que a ANA faculte e preste assistência aos consumidores
enquanto eles aguardam pela realização dos testes”, destacou.A
Deco apela aos passageiros que não tenham sido devidamente informados e
que estejam numa situação de dificuldade que contactem a associação
através da linha de apoio ao viajante “para que sejam devidamente
acompanhados nos seus direitos”.“Vamos
reportar a situação diretamente ao Ministério da Administração Interna
para percebermos como é que podemos acautelar os interesses económicos
destes cidadãos”, concluiu a jurista.Na
segunda-feira, a Lusa contactou a ANA, que confirmou a existência de
“constrangimento” no aeroporto de Faro, após a chegada de passageiros
sem teste covid-19, assegurando que “está, em conjunto com as restantes
autoridades, a trabalhar para melhorar as condições e diminuir o
desconforto dos passageiros”.