DECO cria petição para acabar com comissões bancárias sem serviço prestado
2 de nov. de 2017, 09:45
— Lusa/AO Online
Numa
nota hoje divulgada, a Associação para a Defesa do Consumidor (DECO)
lembra que os consumidores pagam aos bancos por dia cinco milhões de
euros em comissões, considera que “nem todas são legítimas” e exige o
fim imediato de duas delas.“Cobrar
comissões pela manutenção de contas à ordem, que não requerem
manutenção alguma, está longe de ser uma prática aceitável. Menos,
ainda, quando estas custam, em média, 63 euros/ano aos consumidores e as
isenções antigamente concedidas vão desaparecendo”, sublinha a DECO.Outro
dos exemplos dados é o pagamento de comissões nas prestações dos
créditos habitação: “Obrigar os clientes com créditos à habitação a
pagarem uma comissão que, em média, ronda os 30 euros/ano para poderem
pagar as prestações mensais de um contrato que prevê como única opção
esses mesmos pagamentos é totalmente descabido”, considera.Diz ainda que chamar a este pagamento extra comissão de processamento da prestação “é assumir a bizarria”.A
lei tinha resolvido já o problema das comissões bancárias, ao vir dizer
que as instituições só podiam cobrar quando houvesse um “serviço
efetivamente prestado”, mas não definiu o que são “serviços bancários”.“Os
bancos trataram de entender, com assinalável criatividade, que todas as
ações (e até inações) dos seus clientes podem ser objeto de cobrança
por via das comissões. E do Banco de Portugal nem uma palavra”, lamenta a
DECO.A Defesa
do Consumidor sugere que se defina, “sem margem para dúvidas”, o que
corresponde a um “serviço efetivamente prestado”, para acabar com “uma
infinidade de comissões que vão sendo criadas com base na livre (e
parcial) interpretação da lei”.“A
proporcionalidade entre o que se cobra e o serviço que se presta e a
definição de critérios objetivos para o comissionamento bancário são
outros pontos a ter em conta”, acrescenta.A
DECO lamenta igualmente que, apesar de a Assembleia da República ter
criado um grupo de trabalho para estudar alternativas às comissões, “há
mais de um ano” não tenha sido produzido trabalho sobre o assunto.A
comissão pode ser assinada no endereço www.comissoesfora.pt e a DECO
pretende que até ao dia 31 de janeiro de 2018 ela possa recolher o
número suficiente de assinaturas para depois ser entregue no parlamento.