Deco aplaude regresso ao mercado regulado de gás natural mas pede descida do IVA
26 de ago. de 2022, 08:41
— Lusa/AO Online
Em declarações à Lusa, Ingride Pereira,
jurista da associação de defesa do consumidor, disse que “neste momento é
sem dúvida a melhor opção para os consumidores, poderem voltar ao
mercado regulado porque a tarifa regulada é a mais barata e acessível”.“Consideramos que esta medida é positiva e benéfica para os consumidores”, destacou.O
Governo anunciou hoje que vai propor o levantamento das restrições
legais existentes, para permitir o acesso às famílias e pequenos
negócios ao mercado regulado, face aos aumentos anunciados na
quarta-feira.“Embora consideremos positiva
a medida entendemos que o Governo poderia ter ido mais longe, no
sentido de reduzir a taxa de IVA na fatura da eletricidade e do gás, e
entendemos que essa medida também seria estritamente necessária, tendo
em conta esta situação inédita e excecional em que os consumidores têm
sido constantemente confrontados com aumentos de preços nos serviços
públicos essenciais”, referiu a jurista, indicando que “outros países
também já o fizeram”.Para Ingride Pereira,
a questão dos critérios de acesso à tarifa social no gás deveria também
ser repensada. “No caso da eletricidade podem aceder à tarifa social os
agregados familiares que tenham rendimento anual igual ou inferior a
5.808 euros e essa possibilidade não existe no gás", sendo que "apenas
é possível recorrer à tarifa social, sendo beneficiário de determinadas
prestações sociais, mas não é tido em conta este rendimento anual”,
indicou.“Achamos que os critérios de
acesso à tarifa social do gás deviam ser iguais aos da eletricidade para
permitir apoiar mais consumidores e famílias face a estes aumentos”,
sublinhou.Questionada sobre os aumentos
anunciados pelas empresas que fornecem gás, como a EDP, que vai subir os
preços a partir de outubro, em média em 30 euros mensais, mais taxas a
impostos, a jurista da Deco disse que “face à escassez do gás russo e ao
aumento da inflação que se tem verificado” é compreensível “que ocorram
estes aumentos, efetivamente porque no mercado grossista os preços do
gás atingiram valores muito elevados, com um aumento de cerca de 150%”.Para
a associação era também “inevitável que o Governo adotasse medidas para
mitigar o impacto que estes aumentos vão ter nas famílias portuguesas,
que têm sido muitos aumentos nos últimos tempos nos bens alimentares e
essenciais”.Estas subidas preocupam a
associação “que recebe constantemente pedidos de ajuda de consumidores
que já têm dificuldade em pagar as suas faturas e com estes aumentos as
dificuldades vão aumentar, e era essencial que o Governo adotasse
medidas”, garantiu.Além disso, indicou,
“importa que os consumidores continuem atentos ao mercado, que façam
simulações para verificarem qual a tarifa mais barata e adequada aos
seus hábitos de consumo e que tentem procurar a melhor solução”."O
Governo decidiu que vai propor o levantamento das restrições legais
existentes, para permitir o acesso às famílias e pequenos negócios ao
mercado regulado [do gás natural], anunciou hoje o ministro do Ambiente,
Duarte Cordeiro, em conferência de imprensa.Segundo o governante, a medida abrange 1,5 milhões de clientes, com consumos anuais iguais ou inferiores a 10.000 m3.No
caso da eletricidade, desde 2018 que é possível mudar do mercado livre
para a tarifa equiparada à regulada, ou seja, permanecendo cliente de
uma empresa, o consumidor pode usufruir da tarifa definida pela Entidade
Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).A
Deco lançou, em junho, uma petição para que o mesmo seja permitido no
caso do gás natural, uma vez que as tarifas no mercado regulado passaram
a ser a opção mais barata para a maioria dos consumidores domésticos,
comparativamente ao mercado liberalizado.O
objetivo é que a medida entre em vigor em 01 de outubro, para vigorar
durante 12 meses, sendo que é necessário proceder a uma alteração
legislativa.