Deco alerta que famílias reformadas têm em média 4 créditos ativos e apela à poupança
31 de out. de 2025, 12:32
— Lusa/AO Online
Num texto
enviado à Lusa, a propósito do Dia Mundial da Poupança, que hoje se
assinala, a entidade realçou que “poupar para a reforma, em Portugal, é
cada vez mais urgente, tanto mais que a esperança média de vida continua
a aumentar e o valor das pensões a diminuir”.Segundo
a Deco, “face à queda das pensões do Estado, é imperativo que os
portugueses mudem o seu planeamento financeiro e que se criem novas
políticas de proteção social”.A associação
lembrou que, ainda que este ano as pensões tenham registado um aumento
máximo de 3,85%, de acordo com os escalões de atualização legal, as
projeções mais recentes da Comissão Europeia indicam que “a taxa de
substituição das pensões em Portugal cairá drasticamente”.Assim,
segundo o Ageing Report 2024, citado pela Deco, “a pensão média
nacional deverá passar de 69,4% do último vencimento para 38,5% em 2050,
caso não sejam implementadas reestruturações no sistema de Segurança
Social”.Por isso, reiterou, “impõe-se
planear antecipadamente a reforma para garantir um nível de vida digno,
semelhante ao da idade ativa”, destacando que “poupar para a reforma
deve ser encarado como um objetivo ao longo de toda a vida ativa,
iniciando-se logo que se entra no mercado de trabalho”.A
Deco defende ainda que a poupança para a reforma deve contar “com
incentivos fiscais progressivos, produtos transparentes e educação
financeira acessível a todas as idades”.Para
a associação de defesa do consumidor, “reformar a forma como se pensa a
reforma” passa por “transformar o medo do futuro numa cultura de
preparação e segurança”.A Deco lembrou que
o envelhecimento e baixa natalidade ameaçam a sustentabilidade do
sistema de pensões, apontando que “muitos portugueses não têm poupança
complementar e desconhecem como funciona a sua pensão futura”.De
acordo com os dados da associação, “os agregados familiares reformados
têm ainda, em média, quatro créditos ativos”, no valor aproximado de 20
mil euros, e cartões de crédito, de cerca de seis mil euros.A
associação revelou ainda que as prestações mensais totalizam cerca de
680 euros, face a um rendimento líquido médio de 1.150 euros, “o que
representa uma taxa de esforço próxima dos 60%, muito acima do limite
recomendado de 35%”, mostrando a “elevada vulnerabilidade financeira de
quem chega à reforma sem poupanças próprias”.A
Deco acredita que é preciso implementar programas de literacia
financeira e proteção para o futuro e garantir “apoio independente” que
oriente escolhas de poupança complementar e produtos financeiros, “sem
conflitos de interesse”.A associação
defendeu ainda a criação de “incentivos fiscais progressivos” para todas
as faixas de rendimento, tornando a poupança mais acessível, a promoção
de “produtos de poupança simples, claros e transparentes, sem taxas
escondidas” e o desenvolvimento de “políticas de inclusão financeira”.A
Deco apelou ainda para a redução de carga fiscal sobre os depósitos a
prazo e pediu a criação de “campanhas de sensibilização que expliquem a
importância da poupança desde cedo, usando exemplos reais e acessíveis”.