Declaração médica substitui teste negativo em regresso à escola ou emprego
Covid-19
19 de out. de 2020, 15:32
— Lusa/AO Online
Até
agora, o regresso destes doentes à escola ou ao local de trabalho
estava dependente da apresentação de um teste negativo para o
SARS-CoV-2, vírus da covid-19, mas com a atualização da norma da
Direção-Geral da Saúde (DGS) que reduz o período de isolamento para 10
dias, a realização de teste deixa de ser necessária.“O
médico assistente passará a declaração necessária para aquela pessoa
regressar à escola ou ao emprego”, esclareceu Graça Freitas durante a
habitual conferência de imprensa sobre a covid-19 em Portugal.Segundo
a norma da DGS publicada na quarta-feira, o fim das medidas de
isolamento, sem necessidade de realização de teste ao novo coronavírus,
dos doentes assintomáticos ou dos que têm doença ligeira ou moderada
ocorre ao fim de 10 dias, desde que, nos casos com sintomas, estejam sem
usar antipiréticos durante três dias consecutivos e com "melhoria
significativa dos sintomas".O Sindicato
Independente dos Médicos alertou que a medida tem gerado dúvidas entre a
população e, em particular, entre as direções das escolas, associações
de pais, associações empresariais e sindicais, direções dos lares e
segurança social.Questionada sobre quais
são as condições necessárias para a retoma, uma vez que o teste negativo
deixa de ser um requisito, a diretora-geral explicou que o mesmo médico
assistente responsável por dar alta clínica ao doente deve preencher
também uma declaração que o ateste.“A essa
alta clínica corresponde o fim do isolamento em que aquela pessoa se
encontrava. Volta ao seu trabalho ou volta à sua escola”, referiu.Graça
Freitas justificou também a alteração, referindo que a atualização da
norma acompanha os dados mais recentes sobre a evolução da doença e a
transmissibilidade do vírus, e os pareceres da Organização Mundial da
Saúde e do Centro Europeu de Controlo de Doenças Infeciosas.“A
conclusão a que chegamos é que a evolução clínica é mais relevante que a
evolução laboratorial para determinar se um individuo se mantém ou não
se mantém infeccioso”, afirmou, acrescentando que este critério se
aplica a muitas outras doenças, incluindo a gripe.Segundo
a diretora-geral, os dados mais recentes apontam para uma capacidade
reduzida de transmissão do novo coronavírus ao fim de um determinado
período de tempo nos casos de doença ligeira ou assintomática, mesmo que
o vírus continue a ser detetado em testes.“Já
se sabia que isso provavelmente se devia a partículas virais que
ficavam no seu trato respiratório superior, mas que essas partículas
virais não tinham capacidade de infetar outras pessoas”, explicou,
sublinhando que isto acontece a partir do oitavo dia e até ao décimo
dia.De acordo com a mesma norma da DGS, os
casos de doença grave ou crítica têm de permanecer em isolamento 20
dias desde o início de sintomas, o mesmo tempo definido para os doentes
que tenham problemas de imunodepressão grave, independentemente da
gravidade da doença.A DGS sublinha ainda
que no caso de profissionais de saúde ou prestadores de cuidados de
elevada proximidade, de doentes que vão ser admitidos em lares ou
unidades de cuidados continuados ou paliativos ou doentes que vão ser
transferidos nas unidades hospitalares para áreas não dedicadas, será
preciso sempre um teste negativo para que o isolamento seja considerado
completo.