"Declaração dos Açores" quer respeito e apoio à pesca artesanal do atum
17 de out. de 2017, 17:22
— LUSA/AO online
A exigência consta numa declaração
conjunta que foi lida na sessão de encerramento deste encontro mundial,
que reuniu decisores políticos, armadores, investigadores,
representantes das associações de pesca e de organizações
não-governamentais de 15 países, que decorreu durante dois dias na ilha
do Faial.Esta declaração de apoio à pesca de atum de salto e vara
(em que o pescador usa apenas uma cana e anzol e captura o atum um a um
atum) defende, também, que a sustentabilidade seja considerada "de uma
forma holística" e que sejam reconhecidas as características ambientais,
sociais e económicas das pescas e das populações envolvidas, de forma a
que esta arte de pesca "tenha uma participação válida na gestão dos
recursos e seja valorizada e protegida".Os participantes neste
encontro, organizado pelo Governo dos Açores e pela International Pole
& Line Foundation, exigem ainda que a pesca de atum de salto e vara
tenha a sua posição representada e refletida na gestão das pescas "a
todos os níveis", nomeadamente nos mercados globais, e que a sua
participação seja "encorajada" e não "discriminada" ou confrontada com
limitações de acesso ao mercado."A técnica de pesca de atum de
salto e vara caracteriza-se pela sua pequena escala, é seletiva,
sustentável e praticada por comunidades costeiras em todo o mundo",
salienta o documento, adiantando que esta arte "suporta a subsistência
de comunidades costeiras de todo o mundo".Os subscritores da
declaração sustentam igualmente que o atum está "sob uma pressão
crescente" e que as taxas de exploração de algumas espécies "são
insustentáveis", situação que poderá gerar riscos para muitas
comunidades piscatórias."A pesca de atum de salto e vara padece,
com frequência, de uma falta de influência e de recursos que lhe permita
garantir que os seus direitos e interesses são protegidos pelos
decisores nacionais e internacionais", refere o documento, admitindo a
existência de "constrangimentos económicos" que limitam o seu
envolvimento nos processos de certificação.Os participantes neste
encontro garantem, por outro lado, que vão continuar a trabalhar no
sentido de que a pesca de atum com a arte de salto e vera seja
"sustentável e equitativa" e que tenha maior visibilidade e prospere ao
longo das próximas gerações.