Decisão sobre revisão de limites do vento no Aeroporto da Madeira em 2026
10 de jul. de 2023, 17:43
— Lusa
“A
ANAC tem toda a disponibilidade para rever os limites de vento”, disse
Tânia Cardoso Simões, durante uma audição parlamentar, por
videoconferência, na Comissão permanente da Economia, Finanças e
Turismo, do parlamento da Madeira, sobre o "concurso para aquisição e
instalação de equipamentos no Aeroporto Internacional da Madeira –
Cristiano Ronaldo".A responsável
acrescentou que esta “total abertura” para tomar este tipo de decisão
tem de estar assente em “dados científicos” que resultem das conclusões
do grupo de trabalho que foi constituído para o efeito.“Não
queremos criar qualquer expectativa, porque temos verificado um
agravamento das condições climatéricas. Aguardamos por esses dados para
tomar uma decisão”, enfatizou a presidente da ANAC.A
responsável mencionou que os equipamentos serão testados até 30 de
setembro de 2025, quando termina o processo de avaliação, reforçando ser
“muito difícil haver uma decisão cientificamente abalizada sobre os
limites” nesse mesmo ano.“O relatório [do
grupo de trabalho] prevê um acompanhamento de dois anos”, indicou,
complementando que haver uma decisão final “é em 2026”, um prazo que não
pode garantir “em absoluto”.O Aeroporto
Internacional da Madeira é o único no mundo cujos limites de vento são
obrigatórios – 15 nós –, embora tenham sido impostos em 1964 e definidos
com base em estudos que usaram um avião DC3 da II Guerra Mundial,
quando a pista tinha 1.600 metros, sendo que atualmente tem 2.781.Em
janeiro de 2021 foi criado um grupo de trabalho para estudar os
problemas da operação aérea no arquipélago da Madeira, no âmbito do
então Ministério das Infraestruturas e da Habitação, o qual concluiu que
80% dos voos divergem porque o vento no momento da aproximação à pista
está apenas três nós acima do limite.Entre
outros aspetos, o grupo de trabalho, que foi coordenado por Frederico
Pinheiro, ex-adjunto do ministro João Galamba, defendeu ser fundamental a
aquisição de dois equipamentos de radar para uma medição mais precisa
dos ventos, contribuindo para melhorar a operacionalidade do aeroporto.A NAV ficou encarregada de lançar o concurso público no valor de 4,5 milhões de euros.O
contrato de aquisição deste equipamento (Radar de Banda X e LIDAR), que
permite a medição mais precisa dos ventos ao nível da pista, deverá ser
assinado, segundo as previsões, no decorrer deste mês, devendo a sua
instalação acontecer até maio de 2024, ao que se segue um período de um
ano para estudar e analisar os dados.Hoje,
na reunião da comissão, o deputado do CDS/PP António Lopes da Fonseca
argumentou que a decisão de alteração dos limites do vento para o
aeroporto da Madeira deve ser “científica e não política”, defendendo
que os pilotos devem ser ouvidos.“Os
pilotos têm autonomia, devem ser ouvidos, e bem, mas são humanos”,
podendo sofrer também pressões, sustentou Tânia Cardoso Simões,
reforçando que os limites de vento “não devem ser alterados até que
exista prova científica em contrário”.Por
seu turno, o presidente da comissão parlamentar, o deputado
social-democrata Carlos Rodrigues, afirmou ter concluído que “não será
antes de 2026” que a revisão dos limites do vento para a
operacionalidade do aeroporto da Madeira se vai concretizar.