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Médio Oriente
Decisão israelita de retomar ataques na Cidade de Gaza "não melhora as coisas"

A chefe da diplomacia da União Europeia afirmou que a decisão israelita de acabar com as pausas humanitárias na Cidade de Gaza, ao declarar o local como "zona de combate perigosa”, "não vai melhorar as coisas" no enclave


Autor: Lusa/AO Online

"Estivemos o dia inteiro em reuniões, sem acesso aos telemóveis, vi essa informação há segundos, quando estava a entrar [para a conferência de imprensa], mas posso já dizer que não vai melhorar as coisas ou torná-las mais fáceis", disse Kaja Kallas, em conferência de imprensa, em Copenhaga, na Dinamarca.

O exército israelita classificou hoje a Cidade de Gaza como uma "zona de combate perigosa", mas não pediu a saída imediata da população daquela localidade, na mesma altura em que Israel ameaça lançar uma grande ofensiva militar contra o grupo radical Hamas, que assumiu o poder do enclave palestiniano em 2007.

"A pausa tática local na atividade militar não se aplicará à área da Cidade de Gaza, que constitui uma zona de combate perigosa", referiu um comunicado das forças israelitas divulgado nas redes sociais.

Esta “pausa tática local” diária foi anunciada no final de julho para a Cidade de Gaza e outras zonas da Faixa de Gaza, referiu o exército israelita, para “permitir a passagem segura de comboios da ONU” e de organizações não-governamentais (ONG) humanitárias para o território palestiniano devastado pela guerra, que teve início em outubro de 2023.

Apesar da crescente pressão, tanto internacional como interna, para colocar um fim à guerra, o exército israelita afirmou na quinta-feira que “continuava as operações” em todo o território.

Na quarta-feira, o exército afirmou que a evacuação da Cidade de Gaza era inevitável, dada a decisão de Israel de assumir o controlo da cidade, a maior do território.

Israel já tinha afirmado que a Cidade de Gaza é um bastião do Hamas, com uma rede de túneis que continua a ser utilizada pelos militantes do grupo islamita palestiniano.

A cidade alberga também parte das infraestruturas essenciais e das instalações de saúde do território. As Nações Unidas disseram na quinta-feira que o enclave palestiniano pode perder metade da capacidade de camas hospitalares se Israel mantiver os planos de invasão.

A guerra em curso em Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo grupo extremista palestiniano Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, que causaram cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns.

A retaliação de Israel já provocou mais de 63 mil mortos, a destruição de quase todas as infraestruturas de Gaza e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.

Israel também impôs um bloqueio à entrega de ajuda humanitária no enclave, onde mais de 300 pessoas já morreram de desnutrição e fome, a maioria crianças.