Decisão israelita de retomar ataques na Cidade de Gaza "não melhora as coisas"
Médio Oriente
29 de ago. de 2025, 16:27
— Lusa/AO Online
"Estivemos o dia
inteiro em reuniões, sem acesso aos telemóveis, vi essa informação há
segundos, quando estava a entrar [para a conferência de imprensa], mas
posso já dizer que não vai melhorar as coisas ou torná-las mais fáceis",
disse Kaja Kallas, em conferência de imprensa, em Copenhaga, na
Dinamarca.O exército israelita classificou
hoje a Cidade de Gaza como uma "zona de combate perigosa", mas não
pediu a saída imediata da população daquela localidade, na mesma altura
em que Israel ameaça lançar uma grande ofensiva militar contra o grupo
radical Hamas, que assumiu o poder do enclave palestiniano em 2007."A pausa
tática local na atividade militar não se aplicará à área da Cidade de
Gaza, que constitui uma zona de combate perigosa", referiu um comunicado
das forças israelitas divulgado nas redes sociais.Esta
“pausa tática local” diária foi anunciada no final de julho para a
Cidade de Gaza e outras zonas da Faixa de Gaza, referiu o exército
israelita, para “permitir a passagem segura de comboios da ONU” e de
organizações não-governamentais (ONG) humanitárias para o território
palestiniano devastado pela guerra, que teve início em outubro de 2023.Apesar
da crescente pressão, tanto internacional como interna, para colocar um
fim à guerra, o exército israelita afirmou na quinta-feira que
“continuava as operações” em todo o território.Na
quarta-feira, o exército afirmou que a evacuação da Cidade de Gaza era
inevitável, dada a decisão de Israel de assumir o controlo da cidade, a
maior do território.Israel já tinha
afirmado que a Cidade de Gaza é um bastião do Hamas, com uma rede de
túneis que continua a ser utilizada pelos militantes do grupo islamita
palestiniano.A cidade alberga também parte
das infraestruturas essenciais e das instalações de saúde do
território. As Nações Unidas disseram na quinta-feira que o enclave
palestiniano pode perder metade da capacidade de camas hospitalares se
Israel mantiver os planos de invasão.A
guerra em curso em Gaza foi desencadeada pelos ataques liderados pelo
grupo extremista palestiniano Hamas em 07 de outubro de 2023 no sul de
Israel, que causaram cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de
reféns.A retaliação de Israel já provocou
mais de 63 mil mortos, a destruição de quase todas as infraestruturas de
Gaza e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.Israel
também impôs um bloqueio à entrega de ajuda humanitária no enclave,
onde mais de 300 pessoas já morreram de desnutrição e fome, a maioria
crianças.