Débora Nogueira vive "noutra dimensão" mas está "supertranquila"

Pequim2008

3 de ago. de 2008, 16:27 — Emídio Simões-Lusa/AO online

“Isto é outro mundo, é superorganizado. A primeira impressão é que entrei noutra realidade, noutra dimensão. Estou supertranquila. Os meus objectivos já foram cumpridos, mas espero estar ao meu melhor nível, o mesmo a que estive na prova de apuramento”, disse a atiradora do Ginásio Clube Português. Nascida em Almada há 22 anos e estudante do terceiro ano do curso de Arquitectura, Débora Nogueira é a primeira atiradora portuguesa presente nos Jogos desde 1960, quando Maria José Nápoles fez a estreia olímpica da esgrima feminina, em Roma, também no torneio de florete. Débora Nogueira só vai conhecer a sua primeira adversária 48 horas antes de competir, em 11 de Agosto, mas já sabe que ela sairá de um lote que inclui uma chinesa, uma alemã e uma norte-americana, embora esta ainda esteja dependente da lista de atletas que a Rússia vai apresentar. A chinesa e a alemã são esquerdinas, mas a atiradora portuguesa preferia defrontar uma dextra, porque as canhotas “são complicadas”. No quadro de 64, a portuguesa é a segunda atiradora menos cotada: é a com pior “ranking”, no 121º lugar, só tendo vantagem teórica sobre a peruana Maria Luísa Doig, que não consta da tabela, está presente em Pequim com um “wild card” (convite) e completa apenas 17 anos dois dias depois de jogar. Além disso, nunca defrontou qualquer das possíveis adversárias: “Nunca joguei com nenhuma das três, mas já estive em prova com elas”, afirmou, adiantando que espera estar pronta para disputar os Jogos, porque “a preparação foi feita ao melhor” nível. Durante o treino realizado no Centro Nacional de Convenções, no Olympic Green, Eduardo Pereira, o seu treinador há quatro anos, disse que o trabalho a realizar até ao dia da estreia consiste essencialmente em “preparar a parte técnica e a cabeça”. “São os primeiros Jogos dela e os meus também”, sublinhou o técnico, recordando que a portuguesa esteve uma semana e meia a estagiar na Hungria com atiradoras húngaras e romenas. “Foi muito duro para a Débora e para as outras meninas também”. Eduardo Pereira não coloca, no entanto, qualquer objectivo à sua pupila em Pequim2008, pelo menos em termos públicos: “Pedir mais do que estar aqui presente é um excesso. Mas, se estiver na mesma condição do pré-olímpico, penso que podemos ter uma pequena surpresa ou fazer um jogo equilibrado. Era o que eu gostava”. “Ela deu um salto muito grande. Passou de um nível em que tinha dificuldades para passar eliminatórias para os Jogos Olímpicos, onde todos já fizeram finais de oito”, disse, prevendo que vai haver sempre chineses nos quatro primeiros de cada prova de esgrima, porque “jogam em casa, têm grande apoio e são muito rápidos”.