Debate instrutório do homem que ameaçou juízas em Gaia adiado

Justiça

14 de nov. de 2008, 15:09 — Lusa/AOonline

Pedro Mendes Ferreira, advogado de Carlos M., 37 anos, requereu a instrução do processo quanto aos cinco crimes de sequestro de que o arguido está acusado, alegando que “nenhuma das cinco pessoas ficou privada de liberdade”.     Este arguido está acusado por cinco crimes de sequestro, um de ameaça agravada, um de coacção a órgão constitucional e um de introdução em lugar vedado ao público.     Durante o interrogatório de hoje, o arguido terá referido que “nunca proferiu nenhuma frase intimidatória e ninguém foi mantido preso”, contou o mandatário à Lusa.     “Das várias pessoas que se encontravam na secretaria (do Tribunal de Família e Menores) quando o arguido chegou, com uma arma de alarme e um engenho, apenas cinco ficaram assustadas e bloqueadas e não tiveram o discernimento de sair”, sustentou o advogado lembrando que “todas as pessoas já tinham saído antes de chegar o negociador”.     Pedro Ferreira admite que a atitude do arguido “possa ter sido intimidatória mas nunca de sequestro”.     O mandatário pediu um tribunal de júri para o julgamento do processo por estarem em causa factos contra magistrados.     Os factos remontam a 08 de Maio quando Carlos M. entrou no Palácio da Justiça de Gaia e ameaçou, com uma arma que depois se apurou ser de alarme, duas juízas e vários oficiais da justiça na secretaria do Tribunal de Família e Menores.     O arguido não terá reagido favoravelmente a uma decisão num processo em que tinha interesse directo e dirigiu-se ao tribunal, levando consigo, além da pistola de alarme, um x-acto e um engenho que queria fazer passar por explosivos.     A primeira juíza abordada conseguiu que o arguido saísse do seu gabinete, onde se trancou, mas outra, que tinha a porta do gabinete entreaberta, teve que se esconder debaixo de uma mesa, não evitou ser agarrada e ameaçada com a arma.     Horas mais tarde, Carlos M. entregou-se a negociadores da PSP que já tinha evacuado o edifício e criado um perímetro de segurança.     O debate instrutório ficou agendado para 26 de Novembro pelas 10:00 no Palácio da Justiça de Vila Nova de Gaia.