Debate de primárias Democratas na 3.ª feira dominado por destituição e Médio Oriente
13 de jan. de 2020, 13:29
— Lusa/AO Online
O
partido admitiu adiar este debate de janeiro, temendo que ele
coincidisse com o arranque do julgamento político de Donald Trump, no
Senado, mas o processo de destituição do Presidente está num impasse e
ficará como um dos temas de discussão, rivalizando com a perspetiva dos
candidatos sobre o conflito com o Irão.Pelas
normas do partido, só podem participar no debate da noite de
terça-feira (madrugada de quarta-feira em Portugal continental) quem
tiver pelo menos 5% de intenções de votos, nas sondagens, e tiver
recolhido donativos de pelo menos 225 mil simpatizantes, o que habilitou
apenas seis dos 14 candidatos que ainda estão na corrida presidencial.As
regras restritas do partido estão a causar desconforto entre vários
candidatos, sobretudo os que começam a ficar excluídos dos debates e, no
início deste mês, nove destes enviaram uma carta ao Comité Nacional
pedindo para flexibilizar o modo de seleção.“Embora
saibamos que não foi a intenção do Comité, muitos dos candidatos
excluídos devido às regras foram os que ajudaram a tornar o campo das
primárias historicamente diversificado”, escreveram esses nove
candidatos excluídos do debate de terça-feira.Na
verdade, no palco de Des Moines, todos os candidatos (Joe Biden, Peter
Buttigieg, Amy Klobuchar, Bernie Sanders, Elizabeth Warren e Tom Steyer)
são brancos, não havendo um único representante de minorias, que
constituem eleitorados determinantes para a vitória dos candidatos.Aliás,
o melhor posicionado candidato nas sondagens, Joe Biden, é apontado
como aquele que melhor apela à minoria negra, fruto da sua relação
próxima com Barack Obama, o ex-Presidente de quem foi seu vice.Biden
estará certamente no centro das atenções do debate do Iowa, exatamente
pelas posições que assumiu enquanto vice-Presidente relativamente ao
conflito com o Irão – um dos temas incontornáveis, com a escalada de
tensões na região, após o ataque aéreo norte-americano que matou um alto
comandante iraniano.A maioria dos
candidatos democratas à Casa Branca irá defender uma posição de menor
envolvimento militar dos EUA no Médio Oriente, criticando o Presidente
Donald Trump pela ambiguidade de posicionamento, lembrando as suas
promessas de saída de tropas e o recente anúncio de reforço das forças
militares na região.Contudo, Joe Biden
dificilmente poderá alinhar por esta bitola, depois de ter defendido, no
seu passado de vice-Presidente de Obama, uma mais forte posição militar
no Médio Oriente e uma mais condescendente atitude para com o Irão - de
resto, Trump, na sua comunicação ao país, na passada semana, lembrou os
muitos milhões de dólares de ajuda ao Governo iraniano, por parte da
anterior administração, que serviram para financiar atividades
terroristas.Mas nenhum dos seis candidatos
no debate se atreverá a defender as posições e as declarações de Donald
Trump, que será alvo de críticas e de consensos no processo de
destituição.A duas semanas da primeira
eleição primária, no dia 02 de fevereiro no Iowa, as divergências sobre
este tema poderão estar nas posições dos candidatos sobre a celeridade
com que o processo deve ser conduzido no Congresso.O
debate - que decorrerá em Des Moines, no Estado do Iowa, tendo por
anfitriões a estação televisiva de notícias CNN e o jornal The Des
Moines Register – não passará ao lado da questão do financiamento do
serviço nacional de saúde, onde os candidatos mais à esquerda [Bernie
Sanders e Elizabeth Warren] serão de novo questionados pelos mais
moderados sobre como tencionam garantir a universalidade do sistema que
propõem.