David Fonseca e o gosto dos Açores em receber músicos portugueses
24 de jun. de 2018, 11:08
— AO/LUSA
Os Açores,
acredita o músico de Leiria, "são muito interessados em música
portuguesa" e "em ter artistas portugueses sempre a rodar" nas festas e
eventos culturais. "O
que é certo é que ao longo de todos estes anos que faço música, volto
recorrentemente, todos os anos, religiosamente, a uma ilha dos Açores",
sublinha, em entrevista concedida horas antes de entrar em palco nas
festas de São João da Vila, em Vila Franca do Campo.A
completar 20 anos de carreira, iniciada com o disco de estreia dos
Silence 4, Fonseca assume querer distanciar-se da ideia de ser um
"baladeiro à guitarra", valorizando o lado mais festivo, de
entretenimento, que atravessa a maior fatia do seu repertório tocado ao
vivo."A última
coisa que me estava a ver era passar o resto da vida a subir ao palco e
cantar coisas que as pessoas têm de ouvir sentadas, que não se podem
manifestar, só ouvir e receber as canções de forma lenta. Acho que a
música deve ser uma coisa diferente", conta. Melómano
convicto, David Fonseca diz lidar bem com a atual época de consumo
musical, virado para plataformas de 'streaming' e menos centrada na
venda de discos.Assumindo
ter agora "mais liberdade" para conceber álbuns, porque estes são
consumidos por "pessoas que efetivamente querem ouvir um disco todo, na
sua íntegra", o músico reconhece que "antes arriscava mais na compra de
discos", risco esse agora trocado pela "audição" de bandas e projetos."Gosto
muito de ouvir a música como ela é ouvida hoje. Gosto dos objetos, do
vinil, mas por exemplo hoje [sexta-feira] saiu o disco novo dos Best
Youth, e a ideia de o poder ouvir logo que acabe o ensaio de som [para o
concerto dessa noite] é muito atrativa para mim", assinala.A digressão de "Radio Gemini", sétimo disco de originais a solo de David Fonseca, segue verão fora.