Daniel Oliveira abandona Bloco de Esquerda

5 de mar. de 2013, 19:29 — Lusa/AO online

Na carta, publicado hoje no site do jornal Expresso, Daniel Oliveira acusa Francisco Louçã, anterior coordenador do Bloco de Esquerda, de não ter desistido de “continuar a coordenar, sem ocupar o cargo” o partido. A agência Lusa contactou telefonicamente Daniel Oliveira, que se escusou a prestar declarações, remetendo quaisquer esclarecimentos para a carta divulgada pelo Expresso. Na carta, Oliveira ataca a “cultura sectária” do Bloco, considerando que internamente enfraquece o partido e que, externamente, o tem “impedido de ser (…) um fator de convergência e reconfiguração da esquerda portuguesa”. Para o agora ex-militante, avançou-se com uma corrente maioritária que “matará a possibilidade de democratização da vida interna do Bloco”. “O que me deixa perplexo é o completo autismo da direção do Bloco, que, enquanto o país se desmorona, se entretém com estes pequenos golpes palacianos, num partido com uma militância tão reduzida”, refere a missiva. Esta nova corrente é, para Daniel Oliveira, liderada por Francisco Louçã, a quem acusa de não desistir de continuar a coordenar o partido e de promover um “certo culto da personalidade”. “Fica também evidente que a indicação do atual modelo de liderança e a inusitada nomeação dos dois coordenadores não foi um acidente”, escreve, recordando que discordou da opção por uma direção bicéfala. Daniel Oliveira lamenta que, “alimentando o sectarismo”, o BE seja hoje um fator de bloqueio da esquerda, quando devia funcionar como um desbloqueador: “Um partido incapaz da tolerância interna, nunca será um fator de criação de um espírito unitário que dê tradução política à luta popular”. Nesta linha, é também criticado o “boicote premeditado a qualquer entendimento à esquerda”. Falando do próximo desafio eleitoral em Portugal, Daniel Oliveira classifica as autárquicas como fundamentais para o Bloco e critica a estratégia que o partido está a seguir. “Concorrer em todo o lado em que o consiga fazer” é uma “estratégia suicida, qualifica, adiantando que a escolha dos candidatos obedeceu a uma lógica de “mera luta interna entre concorrentes”. Daniel Oliveira diz que sai do Bloco porque não seria sério manter-se num projeto político onde não se sente bem, nem tem esperanças de se vir a sentir melhor, sublinhando que não está no “mercado partidário”.